Publicado por Redação em Dental - 10/05/2012

Adolescência requer cuidado com a boca

É possível, por meio do diagnóstico das alterações bucais, identificar também se o jovem está tendo desvios de comportamento

Odontohebiatria. Um nome diferente para muitas pessoas, mas não na medicina, nem, tampouco, na odontologia. Esse profissional cuida da saúde bucal (dos dentes) do adolescente. O termo hebiatria vem do grego "heb", equivalente à juventude, adolescência; enquanto "iatra" equivale ao médico. A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que o período da adolescência está entre os dez e 20 anos de idade. "Nessa fase, na qual há muitas mudanças, é importante uma linguagem adequada com orientações educativas e preventivas", afirma a odontopediatra, que também atende adolescentes, Meri Cleis Rodrigues Cordeiro. De acordo com a dentista, os pais precisam cobrar a escovação adequada dos filhos, mas não devem ficar em cima. "Nós temos de falar a língua dos adolescentes, sem medo de abordar assuntos relacionados à droga, ao fumo, ao álcool, sexualidade, entre outros", orienta.

A odontohebiatra e autora de um livro sobre o tema, Sandra Kalil Bussadori, resume em uma frase o perfil do adolescente: "O adolescente encontra-se entre os limites da dependência infantil e da autonomia do adulto". Meri Cleis completa: "É uma fase de risco, o adolescente precisa de supervisão". A odontopediatra diz que é possível, por meio do diagnóstico das alterações bucais, identificar se o jovem está tendo desvios de comportamento. Pelas características físicas dos dentes, dos lábios e bochechas, da língua, pelo hálito e por outras evidências que somente o dentista consegue observar pode-se saber se o adolescente está usando drogas, álcool, cigarro, se está sofrendo de ansiedade, de bulemia ou anorexia.

No caso da ansiedade, a médica explica que a produção de saliva diminui muito, a boca fica seca. E quanto à bulemia (quando a pessoa come e depois vomita por medo de engordar), a saliva torna-se mais ácida e isso é um risco, porque as chances de o adolescente sofrer erosões dentárias são grandes. O consumo excessivo de refrigerantes também pode ocasionar as erosões. "Quando a criança deixa de ser criança e passa à adolescência, nós (dentistas) temos de deixar de ser a tia para nos tornarmos a amiga. Assim, o adolescente se sente mais à vontade para falar de suas angústias, de suas dúvidas, pois essa fase é a de maior conflito porque a pessoa não sabe se é criança ou se é adulto", afirma.

Cuidados com a boca

Visitas regulares, como, por exemplo, a cada seis meses, são necessárias para a manutenção da saúde bucal do adolescente. Assim como outros profissionais, Meri Cleis reafirma que o ideal são três escovações por dia. "O fio dental pode ser passado antes de dormir, mas precisa ser usado todos os dias, para evitar as placas bacterianas, ao que hoje nós chamamos de biofilme", observa. Gengivite e periodontite são doenças que podem ser ocasionadas pela falta de escovação dentária e do uso do fio dental.

Ela diz que se o adolescente vem, desde criança, desenvolvendo o hábito de escovar os dentes três vezes por dia, dificilmente ele deixará de fazer aquilo que já se tornou uma rotina. Atualmente, segundo a dentista, o que pesa bastante também é o fato de muitos adolescentes ficarem na escola por tempo integral. "Se a escola não tiver uma política de higiene bucal, o adolescente não vai querer escovar os dentes porque acredita que seja mico fazer isso na escola, o que é um erro", comenta.

O odontohebiatra também tem condições de verificar se o adolescente apresenta má-oclusão. Assim, deverá procurar um ortodontista para avaliar a necessidade de usar ou não algum tipo de aparelho para correção dentária. O chamado bruxismo é uma preocupação que deve ser levada em conta no adolescente. "Muitos jovens hoje em dia, não são só os adultos, acabam sofrendo pressões emocionais o que pode ocasionar o problema. Nesse caso, é indispensável procurar o ortodontista para que seja providenciado o que chamamos de placa miorelaxante. Ela é só um paliativo, para evitar que os dentes sejam pressionados um contra o outro, prejudicando a dentição do adolescente. É necessário identificar a causa do problema", recomenda Meri Cleis que dá uma sugestão: "Gotinhas de florais de bach são excelente para acalmar o jovem". O bruxismo gera desgastes dos dentes, dores de cabeça e provocam irritação na pessoa.

O protetor bucal é importante para os jovens que praticam esportes radicais, bem como o uso de capacetes. No caso de um dente cair, ele dever ser pego pela parte em que não há sangue, colocado em um recipiente com soro fisiológico, leite ou água potável e, em seguida, um dentista deve ser procurado para o reimplante do dente. Existem técnicas para reimplantá-lo e somente o dentista é que tem esse conhecimento, portanto, não é recomendado aos pais tentarem recolocar o dente quebrado.

Vaidade

Meri Cleis diz que a vaidade deve ser sempre trabalhada com os adolescentes, pois essa é uma fase em que estão mais preocupados com isso. É bom lembrar que por conta dos hormônios poderá haver sangramento nas gengivas, o que não necessariamente indique um problema, mas o dentista deve ser procurado quando isso ocorrer, para que a pessoa se certifique do fato. Escovar os dentes para ficar com um hálito agradável e um belo sorriso são fatores de estímulo para que o adolescente se interesse em manter a higiene da boca. "Muitas meninas me procuram no consultório para fazer clareamento dos dentes. Elas querem ser magras e terem dentes brancos", comenta a dentista que diz que o clareamento é possível, desde que bem feito e a partir dos 14 anos.

Fonte: www.cruzeirodosul.inf.br


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