Publicado por Redação em Notícias Gerais - 18/03/2020

Como a tecnologia pode colaborar com a diminuição de desafios no setor de saúde pública com o Coronavírus



O setor público de saúde brasileiro possui questões complexas que se adensam com a pandemia do Coronavírus. Soma-se à falta de médicos e de leitos a possibilidade iminente de um aumento de pacientes atendidos pelo SUS e chegamos a um cenário preocupante. Em todo o mundo, a questão de falta de estrutura de saúde para cuidar de pessoas em situações emergenciais como a proliferação do COVID-19 é motivo de inquietação entre os governantes.

Quando falamos de investimentos em saúde no Brasil, temos números que comprovam a situação complexa: em 2018, o investimento em saúde era de apenas 3,6% do orçamento do governo federal, quando a média mundial é de 11,7%. O orçamento previsto para 2020 é de R$ 136 bilhões, segundo informações do Portal da Transparência. Em 2019, o orçamento era de R$147 bilhões. Ainda pouco representativo diante da demanda.

Com recursos apertados, a tecnologia se torna uma grande aliada em momentos críticos como os que vivemos agora.

Acredito que as Soluções de Apoio à Decisão Clínica contribuem para a melhora de questões de infraestrutura e agilidade, principalmente em relação à qualidade no atendimento, no tempo de espera e na redução da variabilidade do cuidado.

Outro ponto é a qualidade da informação que chega aos profissionais de saúde. É fundamental termos confiança no conteúdo que é entregue a quem vai cuidar e curar doentes, seja em momentos rotineiros, seja em momentos de epidemia. Tecnologia aliada ao conhecimento científico e apresentada de forma estruturada cria padronização do cuidado.

Uma boa solução de apoio atende a todas as equipes de saúde com soluções de referência, trazendo para a realidade do profissional todas as informações relevantes não só para agilizar o processo de atendimento como também do cuidado. O reflexo disso é justamente a oportunidade de proporcionar “mais tempo com o paciente” pois, através de informações estruturadas, é realizada a validação, seguindo com o fluxo do cuidado e posteriormente deixando de se prender ao desenvolvimento de Prescrições e Planos de Cuidado… pois estes já são entregues prontos.

Falo de soluções que trazem uma melhoria significativa na qualidade e eficiência deste cuidado, que reduz desde a solicitação de testes desnecessários até diagnósticos errados por uma simples eventualidade que possa acontecer no dia a dia de qualquer profissional. Em tempos de epidemia essas qualidades são essenciais, já que se tornam imprescindíveis rapidez e assertividade no diagnóstico e tratamento.

Telemedicina

Outra tecnologia que pode colaborar enormemente com o quadro da saúde pública em geral e em momentos de epidemia como a do Coronavírus, é a telemedicina. Somos um país de dimensões continentais, no qual nem sempre é possível atender pacientes que precisam de alguma intervenção imediata com a mesma qualidade em todas as localidades, seja por falta de informações ou de profissionais. Para se ter uma ideia, 70% dos médicos especialistas estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste. Em São Paulo, são quatro médicos para cada 1.000 habitantes, enquanto no Nordeste são apenas 2 nesta comparação. Na região Norte temos menos de um médico.

A telemedicina auxilia justamente na eliminação de alguns dos entraves do sistema de saúde, especificamente o público. É uma tecnologia que reduz o gap de oferta de tudo o que falei acima em termos de Apoio à Decisão Clínica, com a oportunidade de um melhor atendimento, mais rápido e eficaz. É também importante como um processo de triagem e que oferece informações relevantes não apenas para a manutenção do cuidado de um determinado paciente, como no compartilhamento de informações sobre determinadas condições clínicas e orientações diversas para pacientes e seus familiares.

Além disso, em momentos de pandemias como a do Coronavírus, fica a possibilidade de pré-atendimentos para triagem e tratamentos simplificados de outros tipos de enfermidade (quando possível). Nesse caso, a telemedicina colabora com a diminuição de aglomerações em ambientes altamente contaminantes.

Em momentos como o que vivemos hoje, percebemos como a transformação digital é essencial para o futuro da manutenção da saúde no mundo. Longe de ser apenas uma solução para hospitais sofisticados e caros, é totalmente adequada ao sistema público de saúde. Todos ganham em eficiência, qualidade de atendimento e diminuição de riscos.

Sobre o autor

Vitor Liberatori é gerente sênior de produtos da Elsevier Brasil


Fonte: Saúde Business


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Euro volta a cair e atinge cotação mais baixa em nove anos

Após declarações do presidente do BCE, Mario Draghi, sobre a política econômica para a zona do euro e diante de incertezas quanto ao futuro da Grécia, moeda europeia começa a semana em nova baixa.

Notícias Gerais, por Redação

Aumento da Selic não prejudica investimentos, diz Fazenda

O ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou nesta quinta-feira que o aumento da Selic definido na véspera não vai prejudicar os investimentos no País e que a aceleração do crescimento é compatível com o controle da inflação.

Notícias Gerais, por Redação

Malha fina nas empresas

A Receita Federal pretende finalizar neste ano o projeto que cria a malha fina para pessoas jurídicas. Com o sistema informatizado pronto, será possível revisar de 20 mil a 30 mil declarações de empresas em um ano.

Notícias Gerais, por Redação

Gestão sustentável reduz custos das empresas

Não há incompatibilidade entre um empreendimento rentável e uma gestão voltada para a sustentabilidade. Para o Sebrae, uma empresa com práticas sustentáveis reduz seus custos operacionais por consumir menos água, energia e matéria-prima, além de reduzir a geração de resíduos e poluição.

Notícias Gerais, por Redação

Ministra reafirma que servidores não terão reajuste linear de 22%

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, não apresentou solução para a greve dos servidores, mas deixou claro a parlamentares que o governo não fechou as portas da negociação.

Notícias Gerais, por Redação

Ibovespa Futuro se descola de mercado externo e abre em leve alta

Mesmo após a agência de classificação de risco Moodys cortar a nota de crédito de seis nações europeias, entre elas a Itália, a Espanha e Portugal, os contratos do Ibovespa Futuro com vencimento em fevereiro abriram o pregão desta terça-feira (14) com leve alta de 0,14%, negociados na BM&F aos 65.990 pontos.

Deixe seu Comentário:

=