Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 11/07/2011

DIABETE É DOENÇA OCUPACIONA?

A Folha de São Paulo do dia 2 de julho último publicou em sua página de Saúde Corporativa uma matéria com o título “Estresse no trabalho afasta mais pessoas com diabetes”. O texto relata que em nos cinco primeiros meses de 2011, 81 pessoas receberam o auxílio-doença acidentário e que houve um aumento de 520% no número de profissionais que receberam este benefício de 2007 para 2010.
 
Lançamos uma discussão no grupo Profissionais de Saúde, Segurança e Meio Ambiente do Linkedin. O tema provocou um dos mais acalorados debates que presenciei em português no Linkedin, demonstrando que o tema saúde ocupacional envolve questões técnicas, éticas, políticas e ideológicas.
 
Vários profissionais enfatizaram que há uma “epidemia” de patologias em que a Previdência considera ocupacional, a maioria delas de caráter multifatorial e com prevalência bastante elevada na população, como as doenças respiratórias, alérgicas e metabólicas.
 
Talvez o diabete seja um bom exemplo. No Brasil, mais de 7% dos adultos brasileiros são diabéticos e, no mundo, a sua prevalência dobrou nos últimos vinte anos. Trata-se de doença metabólica complexa que envolve fatores genéticos, médicos e de estilo de vida, como obesidade, síndrome metabólica e sedentarismo. Ao pesquisar na base de dados PubMed não encontramos nenhuma publicação que apresenta os fatores
ocupacionais como determinantes do diabete.
 
Uma publicação recente do American Diabetes Association (Diabetes Care,34(1),2011) estabelece o posicionamento da entidade sobre o diabetes e o trabalho, ressaltando que a doença geralmente não tem impacto na capacidade da pessoa exercer suas atividades e o empregador não precisa ter conhecimento da existência da patologia, não devendo ser motivo de discriminação no trabalho. Um estudo com
diabéticos tipo I conduzido por Trief e col. (Diabetes Care, 22(4)569-574,1999) demonstrou que as variáveis ligadas às condições de trabalho não estavam relacionadas ao controle glicêmico.
 
Sem dúvida, o diabético não deve ser discriminado pela empresa, que deve oferecer as melhores condições para o tratamento e acompanhamento da doença. No entanto, associar-se condições como o
stress (praticamente ubiquitario nos dias de hoje) com o diabete e determiná-lo como determinante de seu agravamento é bastante difícil.
 
Deste modo, confirma-se a necessidade de haver maior aprofundamento científico, buscando as evidências em pesquisas e estudos controlados, evitando-se os posicionamentos ideológicos, políticos ou baseados em “achismos”.
 
Fonte: www.saudeweb.com.br | 11.07.11

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