Publicado por Redação em Notícias Gerais - 15/08/2017

Empresas se adaptam para atrair executivas e superar viés inconsciente

POR ÉRICA FRAGA DE SÃO PAULO

LONGA CAMINHADA

Participação de mulheres em conselhos de administração em 2017, em %

As empresas brasileiras começam a incorporar o termo "viés inconsciente" ao seu vocabulário. A ideia é chamar a atenção de seus funcionários para ideias preconcebidas em relação a grupos específicos, como mulheres, negros e deficientes físicos.

No caso de gênero, um exemplo é a crença de que, após casamento e maternidade, o desempenho profissional da mulher tende a piorar.

"Não deixa de ser uma tradução de preconceito. E todos nós, homens e mulheres, temos vieses inconscientes", diz Vanessa Lobato, vice-presidente de recursos humanos do Santander no Brasil.

"Se a gente não começar a discutir isso abertamente e a agir, vão se passar 80 anos sem grandes mudanças", afirma a executiva.



Cassiano Dias, trabalha na Mastercard e teve direito à licença paternidade de 56 dias
Gabriel Cabral/Folhapress


O Santander no Brasil lançou pela primeira vez um posicionamento oficial sobre diversidade no início deste ano e fez um treinamento com 120 funcionários com cargo de chefia no país.

Outro lado sensível da questão de gênero, segundo especialistas e gestores, é convencer as mulheres de que elas podem alçar voos mais altos na carreira.

"Sinto que a própria mulher coloca barreiras", afirma Erika Takahashi, vice-presidente de Recursos Humanos da MasterCard.

De acordo com Takahashi, por isso é importante que as empresas demonstrem que entendem que as pessoas atravessam momentos de vida diferentes e criem espaço para que os funcionários consigam conciliar o lado pessoal ao profissional.

Desde o ano passado, a MasterCard instituiu uma política de trabalho em casa e de horários flexíveis. O Itaú Unibanco também começou há pouco um projeto-piloto para testar o "home office".

Camila Araújo, sócia da consultoria Deloitte, ressalta que, sem medidas desse tipo, as empresas vão se tornar menos atrativas.

"Sempre gostei muito do que faço e coloquei foco na carreira, mas sacrifiquei minha vida pessoal. Demorei para tentar engravidar e precisei fazer tratamento", diz ela, que está grávida do primeiro filho, aos 40. "Olhando para trás, eu teria buscado um equilíbrio maior."

PAPEL EQUÂNIME

Para Regina Madalozzo, pesquisadora do Insper, também é preciso promover políticas que contribuam para um papel mais equânime entre os gêneros na sociedade.

"A percepção cultural do papel do homem tem de mudar", afirma a pesquisadora.

Segundo ela, medidas como licença-paternidade mais longa são importantes.

Recentemente, algumas empresas "a maioria multinacionais" têm oferecido períodos de ausência paterna maiores que os cinco ou 20 dias previstos na lei brasileira.

Para Cassiano Dias, diretor de desenvolvimento de negócios com comerciantes da MasterCard, o benefício contribui muito para o maior equilíbrio entre os gêneros.

Pai de uma menina de dois meses, ele optou por dividir o benefício de 56 dias de licença em três períodos. Logo após o nascimento, se ausentou por 15 dias. Quando a mulher voltar a trabalhar, em outubro, vai tirar mais 20 dias.

"Vou aproveitar mais essa fase única em que o bebê começa a sorrir, a interagir, e minha mulher vai se sentir menos pressionada e mais tranquila", afirma o diretor.

Em dezembro, Dias pretende usufruir do restante da licença para ficar com a bebê e com o filho maior de cinco anos que estará de férias.

Fonte: Folha de São Paulo


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