Publicado por Redação em Mercado - 18/03/2026
Escassez de talentos no Brasil atinge 80%
Pesquisa do ManpowerGroup mostra que dificuldade para contratar segue acima da média global e pressiona RHs a investir em capacitação, flexibilidade e retenção.
A escassez de talentos segue como um dos principais desafios do mercado de trabalho brasileiro em 2026. De acordo com a mais recente Pesquisa de Escassez de Talentos, divulgada pelo ManpowerGroup, 80% dos empregadores no Brasil afirmam enfrentar dificuldade para encontrar profissionais com as competências necessárias para preencher suas vagas. O índice permanece acima da média global, de 72%, e coloca o país entre os mercados com maior dificuldade de contratação no mundo.
No ranking global, os maiores percentuais foram registrados na Eslováquia (87%), Grécia (84%) e Japão (84%). O Brasil aparece em um patamar persistentemente elevado, mantendo relativa estabilidade nos últimos quatro anos: 80% em 2023, 80% em 2024, 81% em 2025 e 80% em 2026.
Esse comportamento revela que a escassez deixou de ser uma condição passageira para se consolidar como uma característica estrutural do mercado de trabalho nacional.
“A escassez de talentos deixou de ser um fenômeno pontual e passou a integrar a dinâmica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. Não se trata de uma oscilação momentânea, mas de um cenário persistente, que exige das empresas uma revisão profunda de suas estratégias de atração, desenvolvimento e retenção de profissionais”, afirma Wilma Dal Col, diretora de Recursos Humanos no ManpowerGroup.
Setores mais afetados
No recorte setorial, os segmentos com maior dificuldade para contratar no Brasil são Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos, com 85%, seguidos por Informação, com 83%. Na sequência aparecem, todos com 79%, os setores de Comércio e Logística, Hospitalidade, Manufatura e Serviços Públicos e Recursos Naturais.
Os dados mostram que a dificuldade não está restrita a uma única área da economia, mas atravessa diferentes cadeias produtivas, incluindo setores intensivos em conhecimento, operação e atendimento.
São Paulo lidera a escassez entre os estados
A análise regional reforça a concentração do problema nos principais polos econômicos do país. O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 88% dos empregadores relatando dificuldade para recrutar. Em seguida aparecem Minas Gerais (85%) e Rio de Janeiro (80%). Considerando apenas a capital paulista, o índice registrado foi de 79%.
O cenário indica que regiões com maior dinamismo econômico e concentração empresarial tendem a sentir com mais intensidade os efeitos da disputa por profissionais qualificados.
IA, TI e dados estão entre as competências mais escassas
Entre as competências técnicas mais difíceis de encontrar, ganham destaque o desenvolvimento de modelos e aplicações de inteligência artificial e o letramento em IA, evidenciando o impacto da transformação digital sobre a demanda por talentos. Também aparecem entre as áreas mais pressionadas as habilidades ligadas a TI e dados, além de funções de front office, atendimento ao cliente, marketing e vendas.
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que as competências comportamentais seguem tendo papel decisivo na empregabilidade. No Brasil, profissionalismo e ética no trabalho lideram entre as soft skills mais valorizadas, seguidas por comunicação, colaboração e trabalho em equipe.
“Em um cenário de rápida evolução das hard skills e de crescente uso da inteligência artificial, são as soft skills que garantem sustentabilidade no longo prazo. A dificuldade que muitos profissionais enfrentam ao elaborar prompts para ferramentas de IA revela, na essência, um desafio de comunicação, com impactos diretos na colaboração e na adaptação no trabalho. Aliada à flexibilidade mental, que permite aprender e evoluir em meio às transformações, a comunicação deixou de ser um atributo desejável para se tornar uma competência estratégica inegociável”, destaca Wilma.
Upskilling e reskilling ganham força nas empresas
Diante da dificuldade persistente para contratar, as empresas vêm ajustando suas estratégias para atrair, reter e desenvolver talentos. Segundo o levantamento, as principais iniciativas adotadas no Brasil são upskilling e reskilling dos colaboradores (44%), seguidos pela busca por novos pools de talentos (25%), maior flexibilidade de localização (23%) e flexibilização de horários (21%).
Também aparecem entre as ações adotadas os ajustes salariais para ampliar a competitividade (18%), os investimentos em anúncios pagos para divulgação de vagas (15%), a terceirização de funções (13%) e a expansão da força de trabalho temporária (12%).
Mais do que responder a uma urgência imediata, essas medidas sinalizam uma mudança gradual na forma como as organizações encaram o problema. O avanço de estratégias voltadas à formação interna indica que muitas empresas começam a reconhecer que a resposta mais sustentável para a escassez de talentos passa pelo desenvolvimento da própria força de trabalho.
“Ao diversificar as frentes de busca por talentos e oferecer mais flexibilidade, as empresas ampliam o acesso a profissionais e constroem modelos de trabalho mais adaptáveis e preparados para as transformações do mercado”, conclui a executiva.
Escassez exige revisão estratégica do RH
Para o RH, o retrato desenhado pela pesquisa reforça um ponto central: a disputa por talentos não será resolvida apenas com recrutamento mais agressivo ou reajustes pontuais de remuneração. Em um mercado pressionado por novas exigências técnicas, transformação digital acelerada e escassez de competências-chave, torna-se cada vez mais estratégico investir em aprendizagem contínua, fortalecimento da marca empregadora e modelos de trabalho mais flexíveis.
Na prática, o desafio de contratar já não pode ser tratado apenas como uma etapa operacional. Ele se tornou uma questão estrutural de negócio — e uma pauta prioritária para empresas que desejam crescer com consistência em um ambiente cada vez mais competitivo.
Fonte: Mundo RH








