Publicado por Redação em Notícias Gerais | 17/11/2016 às 14:32:05


Melhorando o bem-estar em escritórios e empresas


O escritório Setri, de São Paulo, com a consultoria da StraubJunqueira, acaba de conquistar a certificação Well Gold na categoria Interiores Existentes. O selo foi lançado simultaneamente em todo o mundo em outubro de 2014, pelo IWBI – International Well Building Institute. O case figura como a primeira certificação Well do Brasil e da América Latina, e está entre as 12 já concedidas.

Diferentemente de certificações como o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) ou o Aqua-HQE, focadas na eficiência da edificação, o Well promove a saúde e o bem-estar das pessoas que ocupam os ambientes. “É uma forma de complementar as certificações ambientais”, diz o engenheiro Eduardo Straub, diretor da StraubJunqueira. Sua sócia, a arquiteta Luiza Junqueira, lembra que os selos tradicionais abrangem projeto e obra. “O Well vai mais longe, trata desses dois momentos e ainda da operação e gestão da empresa”, diz. Outra particularidade é a exigência de auditoria presencial no final do processo, enquanto que o LEED pede apenas inspeção documental.

“Como a certificação abrange sete dimensões e um total de 100 créditos, divididos em Pré-Condições e Otimizações, o conhecimento da StraubJunqueira foi essencial para que completássemos nosso objetivo dentro do prazo estipulado”, comenta Marcos Bensoussan, sócio-proprietário da Setri, que se orgulha da conquista. “Tanto eu quanto os demais colaboradores da empresa sentimos a diferença de trabalhar em um ambiente mais saudável. Hoje, posso dizer que sou muito mais feliz e produtivo no meu trabalho, e tenho ido menos ao médico”, acrescenta.

O case Setri

Especializado em segurança e qualidade da água fornecida nas edificações, o escritório da Setri tem 50 m², ocupado por três funcionários – todos sócios da empresa – e outros três que trabalham home office. O processo de implantação dos requisitos da certificação não envolveram reformas ou obras, apenas adequações. “O fato de ser um dos menores projetos desse tipo em área construída, em parte facilitou, mas também tornou o processo mais complexo”, diz Eduardo Straub. As sete dimensões do selo Well foram cobertos pelo processo de certificação.

Na dimensão ‘Qualidade do Ar’, a certificação destaca a importância do controle de mofo, micróbios e outros contaminantes como COVs – Compostos Orgânicos Voláteis, formaldeído, ozônio, monóxido de carbono, concentração de CO2, particulados, dentre outros. Entre os problemas associados estão as doenças respiratórias como asma e bronquite, e até mesmo câncer de pulmão. Foram providenciados medidores da qualidade do ar e de temperatura, instrumentos incomuns nos ambientes de trabalho. E instalado um equipamento de fotocatálise no interior do escritório, que colabora na eliminação de micro-organismos. 

Em ‘Qualidade da Água’, as torneiras das pias dos banheiros receberam dois filtros de elevada capacidade. “Toda a água de contato humano deve estar dentro dos padrões e normas internacionais de qualidade da água”, diz Eduardo Straub. Esses equipamentos eliminam micro-organismos, metal pesado, contaminantes orgânicos e inorgânicos, e aditivos como flúor. “A solução atende o requisito do Well que pede água de qualidade para lavar as mãos e manipular alimentos”, comenta Luíza Junqueira.

Ao falar em ‘Alimentação’, a certificação Well exige que as empresas que fornecem comida a seus colaboradores, sirvam alimentos saudáveis aos funcionários como frutas e vegetais. Devem, também, controlar a quantidade de açúcar nos alimentos, alertar sobre alimentos alérgenos e instruir as pessoas para terem uma alimentação saudável. O escritório da Setri mantém um frigobar e passou a armazenar e oferecer aos ocupantes frutas e vegetais. Uma nutricionista foi chamada para expor sobre alimentação saudável e criou-se uma política para lavar as mãos. Uma curiosidade é que a certificação exige sabonetes sem fragrância e não antibacterianos, uma vez que esse tipo de sabonete tem substâncias como o Triclosan, que afetam a saúde humana.

Na área de ‘Iluminação’, o Well inova ao considerar o ritmo circadiano, que representa as 24 horas do ciclo biológico dos seres vivos, influenciado pela luz, temperatura, marés e ventos. Diante da iluminação dos ambientes, são liberados hormônios que vão regular funções como sono e digestão. Se, por exemplo, a luz está muito fraca, o corpo entende que é hora de dormir, o que deixa a pessoa num ritmo mais lento – o contrário, também ocorre. O ajuste pode ser feito alterando a temperatura da cor das lâmpadas, como ocorreu no escritório da Setri. “Trocamos as lâmpadas fluorescentes por uma que tinha uma temperatura de cor de 6500K”, diz o engenheiro.

A área de ‘Atividades físicas’ do Well é uma das que mais influenciam a política interna da empresa, ao propor que subsidie o custo da academia ou outras atividades físicas para seus funcionários. Nos Estados Unidos, são U$ 200 semestrais para o funcionário que comprovar que frequentou a academia, pelo menos, 50 vezes no período. A Setri adotou o critério e, ainda, instalou pedais sob as mesas para as pessoas se exercitarem enquanto trabalham. Foi adquirida uma mesa para apoiar o notebook e trabalhar em pé, permitindo que as pessoas alternem sua posição. 

A dimensão ‘Conforto’, abrange ruídos e como minimizá-los no escritório, e também trata do conforto térmico, ambientes livre de odores, ergonomia e acessibilidade. Em escritórios com áreas superiores a 200 m², a temperatura do ar pode variar em pelo menos três graus, deixando as pessoas livres para escolherem a mesa onde se sentem mais confortáveis. “Atendemos as exigências de acessibilidade da ADA - Standards for Accessible Design – e pensamos na ergonomia ao providenciar cadeiras com ajustes de altura e profundidade e monitores com ajustes de altura”, conta Straub. Foram atendidos os níveis de ruídos externos de 50 dBA e feito um plano de ruídos, identificando os locais silenciosos e os mais barulhentos.

A meta do Well quando faz exigências no capítulo ‘Mente’ é que as empresas criem ambientes mais familiares, introduzam elementos naturais – plantas, parede verde ou fonte com água tratada - e promovam políticas internas de redução do stress. Há, também, atenção às mães que necessitam de creches e liberação para amamentação. A cada seis meses, devem ser feitas pesquisas de clima para avaliar a resposta dos ocupantes em relação a conforto térmico e acústico, ergonomia do mobiliário, entre outros.

Fonte: Dino


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