Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 09/11/2011

Pesquisas indicam ligação entre antibióticos e obesidade

O uso excessivo de antibióticos tem levado à criação de bactérias resistentes aos medicamentos, conhecidas como superbactérias, tais como a Staphylococcus aureus, resistente à meticilina. Agora, porém, pesquisadores estão verificando uma possibilidade igualmente inquietante: o abuso de antibióticos também pode estar contribuindo para a crescente incidência de obesidade, bem como para alergias, doenças inflamatórias intestinais, asma e refluxo gastroesofágico.

Martin Blaser, professor de microbiologia do Centro Médico Langone, na Universidade de Nova York, é um dos que estão chamando atenção para a possibilidade. Em um comentário publicado em agosto na revista Nature, ele afirmou que os antibióticos alteram permanentemente a flora microbiana do corpo humano, também conhecida como microbioma ou microbiota, acarretando consequências imprevistas e graves para a saúde.

O intestino humano, em particular, abriga bilhões de bactérias, mas pouco se sabe sobre esse ecossistema oculto. Considere-se a bactéria Helicobacter pylori, por exemplo, associada ao aumento de risco de úlceras e câncer gástrico. Muitos médicos prescrevem prontamente antibióticos para matá-la, mesmo quando o paciente não tem sintomas.

H. pylori

Contudo, em 1998, em um artigo publicado no British Medical Journal, Blaser foi mais comedido. Na ocasião, argumentou que a H. pylori pode não ser um agente tão ruim, no fim das contas. "Estamos falando de uma bactéria que integra o intestino humano há pelo menos 58 mil anos", disse Blaser em uma entrevista. "Provavelmente existe uma razão para isso".

Seu laboratório, desde então, produziu um fluxo de resultados que sustentam sua suspeita. Blaser e seus colegas descobriram, por exemplo, que o estômago se comporta de maneira diferente após a utilização de antibióticos para a erradicação da H. pylori.

Supõe-se que, após uma refeição, os níveis de grelina - um hormônio da fome secretado no estômago - diminuam. Mas, na pesquisa em indivíduos sem H. pylori, a quantidade de grelina no sangue se manteve, indicando ao cérebro que se continue comendo.

Além disso, os ratos do laboratório de Blaser tomaram antibióticos em doses semelhantes às dadas a crianças para tratar infecções de ouvido e de garganta, suficientes para matar a H. pylori em muitos pacientes. Foi registrado aumento da gordura corporal nos animais, embora sua dieta não tenha sido alterada. (Na verdade, há muito tempo os pecuaristas dão antibióticos ao gado para promover ganho de peso sem aumentar a ingestão calórica).

Estes resultados são consoantes com a pesquisa conduzida atualmente por Peter Turnbaugh, geneticista da Universidade Harvard, em colaboração com Jeffrey Gordon, gastroenterologista da Universidade de Washington, em St. Louis. Eles descobriram que a proporção de diferentes tipos de bactérias no intestino de ratos obesos e humanos obesos é significativamente diferente da dos magros, sugerindo que alterar o equilíbrio microbiano do estômago com antibióticos pode tornar os pacientes mais suscetíveis a ganhar peso.

Alergias

O uso excessivo de antibióticos também pode ser a raiz de outros problemas de saúde. Yu Chen, epidemiologista da Universidade de Nova York, encontrou uma correlação inversa entre a infecção por H. pylori e a asma infantil, a rinite e alergias dermatológicas em 7600 participantes da Pesquisa Nacional em Saúde e Nutrição, nos Estados Unidos.

Pesquisas de observação têm demonstrado que, na verdade, a eliminação da H. pylori aumenta o risco de refluxo gástrico, que é em si associado à asma, bem como de doenças de esôfago. Pesquisadores na Suíça e na Alemanha relataram que camundongos que receberam H. pylori se tornam na verdade protegidos contra a asma.

Fonte:http://noticias.uol.com.br|09.11.11


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