Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 09/09/2016

Plano de Saúde 'baratinho'

Planos de saúde de baixo custo não atendem às necessidades do consumidor

Quando alguém fica doente - uma pessoa-, que aqui chamaremos de consumidor, ela deseja ser tratada com presteza, qualidade e ter seu problema resolvido.

No Brasil isto está a cada dia mais complicado.

Em economia, custo é o valor monetária do consumo de fatores necessários à produção de um bem ou serviço. Por outro lado preço de venda é o dinheiro que o consumidor vai gastar para comprar o bem ou produto. Na saúde, diferente de qualquer outra atividade econômica, a diferença entre o custo e preço é um mistério. O lucro é uma realidade. Existem no Brasil mais empresas de saúde complementar do que bancos. Portanto não parece ser um mal negócio, principalmente com a possibilidade do ingresso de grupos multinacionais.

O SUS, criado em 1988, tem o segundo mais ativo programa de transplante de órgãos, o melhor programa de vacinação e o mais abrangente programa de AIDS no mundo. Nos últimos anos tem dado lugar a uma terceirização e parcerias público privadas desenfreada. Por quê?

A cada contrato vencido, troca-se toda a equipe. Jamais venceremos o desafio do longo prazo com equipes de curto prazo.

Mais de 70% da população não tem plano de saúde e depende do SUS. Com o aumento do desemprego tivemos esse ano mais de 600 mil cidadãos perderam seus planos de saúde. Em 2015 foram mais de um milhão! Aumentam as filas no SUS, hoje escondidas nos sistemas informatizados de marcação (SISREG).

No mês de agosto, a capa da Harvard Business Review Brasil foi “Saúde tem preço”. Nada mais oportuno. Em 39 páginas é apresentado um debate, pelas “mais brilhantes autoridades na área da saúde sobre um dos temas mais importantes enfrentado pelos EUA e por muitos outros países – aí incluindo o Brasil”. Os artigos defendem modelos diferentes do financiamento: um modelo que o pagamento é por pessoa atendida (per capita) numa determinada população; no outro o pagamento cobre todos os custos para tratar uma determinada condição médica (“pacote de tratamento”). Mesmo com algumas experiências exitosas esse é um modelo que está longe de ser universalizado.

No Brasil temos dois enormes problemas que antecedem esse debate: falta um programa de longo prazo e sobra corrupção.

Em abril desse ano, no artigo “Mistério ou Ministério da Saúde”, escrevi que nos meus 42 anos de formado foram 25 Ministros da Saúde. Desses, o Dr. Adib Jatene ocupou por duas ocasiões esse posto. Ficou por oito meses no governo Collor e por 22 meses no primeiro governo Fernando Cardoso. O ministro que mais tempo permaneceu na função foi o Dr. Waldyr Arcoverde, por 65 meses, no governo do General Figueiredo; seguido pelo Dr. Paulo Machado, por 60 meses, no governo do General Geisel; o Economista José Serra, por 47 meses, no segundo governo FC; Dr. José Temporão, por 45 meses, no segundo governo Lula; e Alexandre Padilha, por 37 meses, no primeiro governo Dilma. O tempo médio na função foi de 21 meses, porém, se excluirmos os cinco ministros que ficaram três ou mais anos, essa média foi de 15 insuficientes meses para trabalhar em equipe num projeto nacional.

As fraudes continuam, há décadas: equipamentos encaixotados, licitações questionadas, “hospitais esqueletos”. A toda semana algum escândalo é noticiado. Faltam médicos onde também faltam enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, etc. Por que não estimular consórcios entre prefeituras? Gastaríamos menos, atenderíamos mais pacientes e teríamos onde, como e para quem encaminhá-los.

O Brasil gasta 9% do PIB em saúde, e nossas taxas de mortalidade infantil, longevidade, equidade no atendimento e acessibilidade ao sistema, são muito diferentes das encontradas na Suécia, Noruega e Inglaterra, que gastam 9,5 %.

Gastamos errado, tanto no sistema público como no privado.

Aí, vem o novo ministro da saúde, com três meses na cadeira, propor, para “desafogar o SUS, um plano de saúde “baratinho”.

Sorry!

Fonte: Portal G1


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