Publicado por Redação em Previdência Corporate - 31/05/2013

Repasse ao INSS por desonerações demora 20 meses

Ministério da Fazenda cobrirá as perdas do INSS com a nova política. Perdas atingiram R$ 3,7 bilhões em 2012, devendo bater em R$ 16 bilhões em 2013

A pressa do governo em adotar medidas de estímulo à economia fez com que a desoneração da folha salarial, uma das pérolas da gestão de Dilma Rousseff, passasse mais de um ano e meio em bases técnicas incompletas. Somente no mês passado, 20 meses após o anúncio da primeira leva de setores beneficiados, foi sacramentado o procedimento pelo qual o Ministério da Fazenda cobrirá as perdas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com a nova política. As perdas atingiram R$ 3,7 bilhões no ano passado, devendo bater em R$ 16 bilhões em 2013 e chegar a R$ 24,7 bilhões em 2014.
 
A desoneração salarial prevê que alguns setores deixam de recolher a contribuição patronal ao INSS, de 20% sobre a folha, e em troca pagam 1% ou 2% sobre o faturamento, conforme o setor.
 
A compensação não é suficiente, de forma que sobra um "buraco" nas contas do INSS, presidido desde outubro do ano passado por Lindolfo Neto de Oliveira Sales. O buraco será coberto pelo Tesouro Nacional, segundo os planos anunciados pelo governo.
 
A maneira de calcular essa perda e o repasse dos recursos foram regulados numa portaria conjunta publicada no Diário Oficial de 3 de abril. A primeira medida provisória (MP) desonerando setores é de agosto de 2011. Impacto. "Não foi o ideal", reconhece o diretor do Departamento do Regime Geral de Previdência Social, Rogério Nagamine. Ele conta que as desonerações começaram a provocar impacto sobre o caixa da Previdência de forma mais significativa no ano passado.
 
Porém, somente em dezembro de 2012 a pasta recebeu um repasse de R$ 1,8 bilhão do Tesouro, montante sabidamente inferior às perdas. O restante da compensação chegou à Previdência em abril. Com a publicação da portaria, ficou acertado que em maio será coberta a renúncia ocorrida em janeiro. Os repasses serão mensais, com quatro meses de defasagem.
 
Segundo Nagamine, a perda de arrecadação previdenciária em 2012 ficou próxima da estimativa, que era de R$ 4 bilhões. Dados inéditos da Receita mostram que, se o governo não tivesse desonerado a folha de nenhum setor no ano passado, a arrecadação das contribuições previdenciárias teria atingido R$ 13,4 bilhões.
 
No entanto, a receita totalizou R$ 9,7 bilhões, dos quais R$ 3,1 bilhões vieram da tributação sobre o faturamento. A renúncia fiscal, que começou em R$ 88 milhões em janeiro, atingiu a marca dos R$ 531 milhões em dezembro. O maior salto ocorreu entre agosto e setembro de 2012, quando a conta passou de R$ 215 milhões para R$ 482 milhões.
 
Naquele mês, uma leva de novos setores passou a ter o benefício da desoneração, entre eles os call centers, os hotéis, os fabricantes de autopeças, material elétrico e bens de capital mecânicos.
 
Reportagem publicada hoje (30) pelo Estado mostra que o corte no custo da folha salarial não conseguiu evitar demissões no setor calçadista. No setor de móveis, o benefício não é considerado fator crucial para o aumento do número de empregados, pois a maior parte das empresas recolhe tributos pelo Simples e, por isso, não tem vantagens com a desoneração. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 
Fonte: exame.abril.com.br

Posts relacionados

Previdência Corporate, por Redação

Receita alerta para golpe envolvendo cartas falsas e multa para empresas

Os contribuintes devem ficar atentos para um novo golpe envolvendo o nome da Receita Federal.

Previdência Corporate, por Redação

Ministro propõe a Sarney previdência única para servidores

Até 1º de janeiro, a Fundação de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais (Funpresp) deverá estar em funcionamento. A previsão é do ministro da Previdência, Garibaldi Alves.

Previdência Corporate, por Redação

Captação líquida dos fundos bate recorde histórico no semestre, diz Anbima

Categorias Renda Fixa e Previdência foram o destaque, com captações líquidas de R$ 24,1 e R$ 15,4 bilhões.

Previdência Corporate, por Redação

Previdência privada, a conveniência na escolha pode sair caro

O mercado de planos de previdência privada cresce ano após ano. Contudo, um fato que salta aos olhos é a alta concentração das reservas destes planos nas seguradoras ligadas aos grandes bancos se comparadas ao volume de negócios das seguradoras independentes.

Previdência Corporate, por Redação

Segurada do INSS poderá ter licença-maternidade ampliada para 180 dias

O salário-maternidade poderá ser pago à segurada da Previdência Social durante 180 dias (6 meses). A previsão está no Projeto de Lei 2299/11, do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), em análise na Câmara.

Deixe seu Comentário:

=