Publicado por Redação em Notícias Gerais - 14/10/2015

Sem represálias e com emprego: Cuba anistia médicos desertores

Castro autoriza a volta, sem represálias e com emprego, dos profissionais que abandonaram a ilha para se estabelecer no estrangeiro

EUA e Cuba negociam há meses a solução de um conflito que pesa na normalização das relações bilaterais: o programa concebido para estimular a deserção dos médicos cubanos para outros países, aprovado pelo governo Bush em 2006, o Cuban Medical Professional Parole Program [Programa Condicional Profissional de Médico Cubano, em tradução livre].

Tentando chegar a um acordo, Barack Obama está reduzindo as facilidades concedidas aos desertores no programa criado pelo Partido Republicano, enquanto o governo de Raúl Castro, em uma mudança radical, autorizará o retorno, sem represálias e com emprego garantido, do pessoal médico que abandonou a ilha para se estabelecer no estrangeiro.

Até agora os desertores estavam proibidos de voltar a Cuba por um período de até sete anos e inabilitados profissionalmente por meio da anulação de seu diploma médico. Centenas de profissionais de saúde que abandonaram seu trabalho no Brasil, Venezuela ou Bolívia esperam na Colômbia o visto de entrada para os Estados Unidos.

Calcula-se que milhares de médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde destinados em países do Terceiro Mundo preferiram gozar dos benefícios prometidos pelos EUA para arrebatar de Cuba um de seus principais tesouros: os profissionais de saúde. São 400 mil em um país de 11,5 milhões de habitantes, dos quais 50 mil trabalham em 68 países em virtude de acordos intergovernamentais.

O país caribenho conta com mais de 85 mil médicos, um para cada 130 pessoas, o que constitui um dos melhores indicadores do mundo. Tirando os 25 mil que cumprem missão no estrangeiro, majoritariamente na Venezuela, seriam 5,4 médicos para cada mil habitantes. A exportação de serviços técnicos e profissionais é sua principal fonte de renda, cerca de 7 bilhões de euros (R$ 30 bilhões) por ano.

Saúde exemplar

Apesar da deterioração do sistema desde o início dos anos 1990, a saúde cubana continua a anos-luz da saúde pública latino-americana. Entretanto, o exíguo salário de seus profissionais animou muitos a somar-se aos contingentes que trabalham no estrangeiro, onde recebem ao redor de US$ 1 mil (R$ 3.900) mensais, conforme o país, contra os aproximados US$ 60 (R$ 234) de salário na ilha, quantia que varia em função de responsabilidades e horários.

A lista de assuntos a resolver entre os dois países confrontados durante mais de meio século é longa. Os EUA colocaram suas exigências e Cuba, as suas, entre elas que terminem as iniciativas aprovadas durante a presidência de George W. Bush para fomentar a fuga de profissionais e o descontentamento social na ilha.

Fontes oficiais cubanas anunciaram que todos os profissionais de saúde que saíram poderão voltar com seu emprego garantido. E será facilitada sua integração internacional, ajudando-os no acesso a informação especializada e literatura médica da atualidade nas diversas especialidades, bolsas no estrangeiro, participação em congressos e uma mudança no formato das missões no exterior, ampliando as de duração mais curta.

Fonte: Uol Notícias


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