Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 14/06/2012

Vacina brasileira para esquistossomose é aprovada

Baseada no antígeno Sm14, desenvolvida e patenteada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a vacina coloca o Brasil na fronteira da ciência, com a primeira vacina para helmintos

Após mais de 30 anos de pesquisa, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC, ligado à Fiocruz) anuncia a criação da primeira vacina contra esquistossomose. A droga acaba de ser aprovada nos testes clínicos de fase 1, mostrando ser segura e capaz de induzir imunidade à doença, que afeta 200 milhões de pessoas no mundo. Baseada no antígeno Sm14, desenvolvida e patenteada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a vacina coloca o Brasil na fronteira da ciência, com a primeira vacina para helmintos.

Considerado um feito histórico, em vez de comprar tecnologia, o Brasil vai vender e em vez de tratar a doença com remédio, a saúde pública vai poder prevenir com a vacina. É importante lembrar que está é a primeira vez que são realizados no Brasil testes clínicos de fase 1 uma vez que os testes com pacientes, por regras internacionais, devem obrigatoriamente ser realizados no país de origem da tecnologia. A Sm14 inova, ainda, do ponto de vista do modelo pesquisa, sendo foco da primeira parceria público-privada desenvolvida pela Fiocruz, estabelecida com a empresa Ourofino Agronegócios, com apoio de agências de financiamento, como a Finep e a Faperj.

De acordo com a pesquisadora que liderou o estudo, Miriam Tendler, o projeto é apoiado por uma rede e internacional de instituições colaboradoras, com mecanismos de financiamento oriundos tanto do governo quanto da iniciativa privada.

Para a diretora do instituto, Tania Araújo-Jorge, está é a primeira vacina para uma doença parasitária no mundo. O presidente Paulo Gadelha completa a fala de Tania ao dizer que a conquista reflete mudanças no país, no sentido de reforço à pesquisa nacional, como os mecanismos de fomento e a forma como as parcerias são realizadas.

Desde o início a pesquisa foi apoiada financeiramente pelo IOC e pelos mecanismos de financiamento de pesquisas científicas como o CNPQ e Finep. Sua primeira fase de desenvolvimento tecnológico foi apoiada pelo Programa de Desenvolvimento Tecnológico em Insumos para Saúde (PDIIS/Fiocruz).

Em 2005, a empresa Alvos licenciou a vacina veterinária e a vacina humana mediante estabelecimento de parceria público-privada. A empresa foi adquirida pela Ourofino Agrnogócios, que assumiu toda a parte industrial do processo.

O superintendente de biológicos da empresa, Carlos Henrique, conta que está é a oportundiade do Brasil mostrar para o mundo o potencial científico e tecnológico que possui.

Gravidade

De acordo com Miriam, a doença é a segunda maior endemia no mundo, ficando atrás apenas da malária. É uma doença dos países pobres associada à miséria. Hoje ela infecta cerca de 200 milhões de pessoas, mas existem 800 milhões de indivíduos expostos ao risco.

De acordo com Miriam a vacina está sendo desenvolvida seguindo os conceitos de vacina bivalente, potencialmente no futuro ela será multivalente. De acordo com ela, isso foi evidenciado a partir do momento em que se teve acesso à estrutura do DNA do clone [da proteína] SM14.

A cientista conta que ela pertence a uma família de proteínas que tem a capacidade de ligar gorduras a ácidos graxos, e esses helmintos [parasitas] não têm a capacidade de sintetizar lipídeos, gorduras que são a principal forma de energia do metabolismo. Então, eles precisam pegar isso do hospedeiro. Esse transporte é feito por essas moléculas, que transporta lipídeos. Isso talvez seja o fato de estarem presentes em todos os helmintos de importância humana e veterinária.

A representante da Fiocruz acredita que em cinco anos será possível imunizar a população da África e do Brasil.

Fonte: saudeweb


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