Publicado por Redação em Notícias Gerais - 01/09/2016

Economia encolhe 0,6% no segundo trimestre, em sexta queda seguida do PIB

 Marcos Santos USP Imagens

Investimentos de empresas entre abril e junho têm leve melhora, mas consumo das família continua negativo

A economia brasileira seguiu em queda no segundo trimestre deste ano. O Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,6% em relação ao trimestre anterior, a sexta queda consecutiva. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o tombo foi ainda maior: um recuo de 3,8%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio pior do que as estimativas de analistas do mercado. Em valores correntes, o PIB chegou a 1,5 trilhão de reais.

Com o desemprego e a inflação em alta, o consumo das famílias voltou a cair pelo sexto trimestre seguido, registrando um recuo de 0,7% em relação aos primeiros três meses do ano. Segundo o IBGE, o freio no consumo reflete a queda no poder de compra dos brasileiros, acossados por uma política restritiva de juros altos para controlar a inércia inflacionária, que ainda se mantém. Em tempos de austeridade, o Governo também gastou menos, algo que afeta o desempenho da economia: 0,5% a menos, em comparação ao trimestre anterior.

Apesar da intensa recessão, houve uma melhora no humor dos empresários que viram com bons olhos a chegada do Governo interino de Michel Temer e da nova equipe econômica liderada pelo ministro Henrique Meirelles. No segundo trimestre, o Brasil teve um pequeno aumento de investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo, medida utilizada para mensurar o capital investido pelo setor privado, registrou o primeiro resultado positivo após dez trimestres consecutivos em queda. Ela avançou 0,4%.

A indústria, que vinha apresentando resultados negativos desde o início de 2015, teve uma leve alta de 0,3% em relação ao trimestre anterior. O indicador ainda é frágil. O setor de construção ainda não conseguiu reverter o quadro recessivo (queda de 0,2% no período), e nem mesmo o setor agrícola (queda de 2%). Os serviços recuaram 0,8%.

As exportações, por sua vez, tiveram expansão de 0,4%. As importações de bens e serviços cresceram 4,5% em relação ao primeiro trimestre do ano.

Segundo o economista Otto Nogami, do Insper, apesar do leve aumento de investimento e da pequena melhora na indústria ainda é cedo para falar em recuperação. "A retomada depende agora de como Temer e a nova equipe vai conduzir o ajuste fiscal. O clima político econômico pode melhorar no próximo trimestre", avalia Nogami.

Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central realizou sua segunda reunião e manteve a taxa básica de juros da economia brasileira estável em 14,25% ao ano. Os juros altos, que servem para controlar a inflação, inibem o consumo, o que mantém a economia estagnada. Eis o grande desafio que o presidente Michel Temer, que foi confirmado na presidência nesta quarta, enfrenta a partir de agora.

Fonte: El País Brasil


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Fiscalização da Receita recupera R$ 6 bilhões do IR de pessoas físicas

Número se refere a auditoria de declarações feitas em 2012. No ano passado, 282.857 pessoas foram fiscalizadas pela Receita.

Notícias Gerais, por Redação

Confiança do setor de serviços tem terceiro aumento consecutivo

O setor de serviços está mais confiante na economia brasileira. O Índice de Confiança de Serviços (ICS), divulgado nesta terça-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta de 3,2% de outubro para novembro, passando de 121,5 para 125,4 pontos.

Notícias Gerais, por Redação

Gastos sociais do governo crescem 172% em 16 anos, diz Ipea

Os gastos do governo federal na área social cresceram de R$ 234 bilhões para R$ 638,5 bilhões em 16 anos, um aumento de 172%, descontada a inflação do período, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Notícias Gerais, por Redação

Ibovespa inicia pregão em alta, na expectativa por estímulos na Europa

O Ibovespa inicia o pregão desta segunda-feira (21) com ganhos de 0,90%, aos 59.819 pontos, segundo cotação das 10h17 (horário de Brasília), sustentado pelo otimismo com novas medidas anticrise.

Notícias Gerais, por Redação

Governo mobiliza base para deixar emenda da saúde para 2012

Com o risco de infidelidade na própria base aliada, o Palácio do Planalto decidiu retirar a urgência do projeto que regulamenta a emenda 29, que trata de gastos em saúde. Com isso, a discussão sobre o tema será empurrada para 2012.

Notícias Gerais, por Redação

BC regulamenta oferta de recursos para Minha Casa, Minha Vida

O Banco Central publicou nesta quarta-feira uma circular na qual impõe exigências às instituições financeiras interessadas em participar da oferta pública de recursos da União destinadas aos subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida em cidades com até 50 mil habitantes.

Deixe seu Comentário:

=