Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 13/01/2026

Empresas apostam em ambientes mais humanos em 2026

Com o avanço dos transtornos mentais no trabalho, RHs e lideranças passam a tratar o cuidado com as pessoas como fator estratégico para desempenho e sustentabilidade.

 

O início de 2026 encontra empresas diante de um desafio que vai além da produtividade: como sustentar resultados em um cenário de esgotamento emocional crescente entre trabalhadores e lideranças. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que transtornos como depressão e ansiedade são responsáveis por cerca de 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano, com impacto estimado em US$ 1 trilhão em perda de produtividade no mundo.

Para o médico do trabalho Ricardo Pacheco, esse cenário impõe uma mudança urgente na forma como as organizações estruturam seus ambientes de trabalho. “Cuidar das pessoas deixou de ser um diferencial competitivo. Hoje é uma decisão estratégica para a sobrevivência e o futuro das empresas”, afirma.

Segundo o especialista, após anos marcados por instabilidade econômica, transformações aceleradas e pressão constante por desempenho, há um cansaço coletivo que já afeta o engajamento, a qualidade das relações e a capacidade de inovação. Esse desgaste, muitas vezes invisível, aparece em forma de conflitos, afastamentos, queda de desempenho e perda de sentido no trabalho.

O trabalho entre realização e adoecimento

Estudos internacionais mostram que a forma como o trabalho é organizado pode atuar tanto como fator de proteção quanto de risco à saúde mental. “O trabalho pode ser um espaço de pertencimento e desenvolvimento. Mas quando é mal conduzido, transforma-se em fonte contínua de sofrimento”, diz Pacheco.

O impacto desse modelo recai também sobre os indicadores empresariais. Adoecimento, rotatividade elevada, erros operacionais e danos à reputação são efeitos recorrentes em ambientes marcados por pressão excessiva e baixa segurança psicológica.

Lideranças no centro da equação

Um dos pontos mais críticos, segundo o médico, está na preparação emocional das lideranças. Pesquisas recentes indicam que mais de 40% dos trabalhadores relatam níveis elevados de estresse diário, e uma parcela significativa aponta que seus gestores não estão preparados para lidar com questões emocionais no ambiente de trabalho.

“Líderes despreparados, mesmo sem intenção, adoecem pessoas. Já líderes conscientes funcionam como fatores de proteção”, afirma Pacheco. Estudos mostram que gestores influenciam diretamente os níveis de estresse, engajamento e satisfação das equipes, o que reforça o papel do RH no desenvolvimento de competências socioemocionais.

Saúde integral e sustentabilidade do negócio

Para além de exames periódicos e indicadores médicos, o conceito de saúde integral envolve equilíbrio entre corpo, mente, propósito e relações. “Sem respeito, escuta e dignidade, qualquer discurso sobre produtividade se esvazia”, diz o especialista.

Empresas que investem em ambientes mais saudáveis tendem a registrar maior engajamento, menor absenteísmo, retenção de talentos e resultados mais sustentáveis, segundo estudos sobre experiência do colaborador e saúde ocupacional.

Médico do trabalho ganha papel estratégico

Nesse contexto, o papel do médico do trabalho também se amplia. Para Pacheco, o profissional deixa de atuar apenas como agente de diagnóstico para se tornar um elo entre ciência, gestão e cuidado humano. “É preciso prevenir o adoecimento, orientar lideranças e apoiar a construção de ambientes mais conscientes”, afirma.

Para 2026, a mensagem é clara: organizações que desejam prosperar precisam compreender que resultados duradouros dependem de pessoas saudáveis. “Cuidar das pessoas não é um gesto de gentileza. É uma decisão estratégica”, conclui.


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