Publicado por Redação em Previdência Corporate - 13/10/2016

Empresas oferecem previdências privadas para reter mão de obra qualificada

O analista financeiro Fabiano Holanda explica que esse tipo de contratação pode ser benéfica tanto para funcionários quanto para as empresasCrédito: Gabriel Sabóia

Mais de três milhões de brasileiros já fazem uso das previdências complementares oferecidas por empresas. As taxas e valores pagos costumam ser mais vantajosos do que as contratações individuais.

Por Gabriel Sabóia

A advogada Letícia Souza tem 26 anos, está formada há quatro e não quer nem pensar no dia da sua aposentadoria. Mesmo assim, orientada por familiares e apreensiva pelas notícias sobre uma iminente reforma da Previdência, ela aderiu, há dois meses, a um plano de aposentadoria complementar oferecido pela multinacional em que trabalha. No contrato, a empresa contribui em regime de paridade com ela. Ou seja: para cada real investido pela funcionária, é depositado mais um real pela empresa.

"Ainda é impossível saber com que idade vou me aposentar. Essa imprevisibilidade vinha me causando uma agonia e, com o futuro imprevisível, eu tive um receio de não ter um valor significativo no INSS quando me aposentasse. Por isso, aderi ao plano da empresa", conta.

De acordo com a Fenaprevi, a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida, só no primeiro semestre desse ano, foram contabilizados 3 milhões e 68 mil pessoas com planos de previdência empresariais no Brasil. O analista financeiro especializado em seguros Fabiano Holanda ressalta que o negócio costuma ser vantajoso tanto para funcionários como para as empresas, mesmo que o regime aplicado não seja de paridade, já que as taxas cobradas tendem a ser mais baixas.

"Existe um benefício fiscal para a empresa que contrata o plano de previdência corporativo, mas ele depende do regime tributário ao qual está enquadrada. A empresa consegue deduzir da sua base de cálculo de Imposto de Renda se for de "lucro real". Se estiver enquadrada na categoria "lucro presumido" nao consegue se beneficiar dessa dedução. Já em relação ao funcionário, a grande vantagem é ter acesso a taxas menores do que as que ele conseguiria sozinho, se fosse buscar um plano em um banco ou em uma seguradora", explica.

A previdência complementar empresarial apresenta duas modalidades. No modelo aberto, os planos podem ser contratados pelos funcionários, de maneira individual ou coletiva, diretamente com seguradoras que fazem parcerias com as empresas. Além da liquidez maior, nesse tipo de plano é possível fazer o saque dos valores investidos depois de um prazo de carência estabelecido em contrato. Já no modelo fechado, usado na maior parte das vezes, o funcionário só pode fazer o saque em caso de desligamento do plano, por aposentadoria ou demissão. As condições de contratação são estabelecidas pelo próprio plano. Nesse modelo, as empresas que fazem o plano são responsáveis pelos fundos de investimentos. O administrador de empresas especializado em recursos humanos Ricardo Karpat explica que os planos de previdência pesam, cada vez mais, para que empresas consigam reter a mão de obra qualificada.

"O objetivo principal das empresas é reter talentos. Porque o mais custoso para uma oganização é treinar o funcionário e ele não se alongar dentro da empresa. Então são investimentos de treinamento e adaptação e, muitas vezes, esse profissional com um ano e meio ou dois anos acaba partindo para uma nova organização. Isso faz com que seja necessário treinar novamente um funcionário, o que é muito custoso", conclui.

Para não cair em armadilhas, especialistas recomendam a quem tiver a oportunidade de contratar um plano de previdência empresarial ou individual que faça antes um planejamento pessoal para saber se vai poder pagar e por quanto tempo. O perfil do fundo de investimento no qual o dinheiro será aplicado também deve ser levado em consideração, já que existem planos mais conservadores e arrojados.

Fonte: Rádio CBN


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