Publicado por Redação em Notícias Gerais - 07/06/2017

Lava Jato faz disparar procura por seguros para patrimônio de executivos

A Operação Lava Jato impulsionou a procura por seguros que protegem o patrimônio do executivo caso decisões erradas tomadas por ele provoquem perdas financeiras para as empresas.

Esse aumento, porém, foi acompanhado de uma maior cautela das seguradoras na hora de fechar o negócio.

Entre 2014 –ano em que a operação da Polícia Federal foi deflagrada– e 2016, os valores pagos em apólices de seguros de D&O (Directors & Officers, ou diretores e executivos) subiram 62%, para R$ 381,6 milhões, de acordo com a Susep, regulador do mercado de seguros.

A evolução foi guiada pela procura maior pelo produto, e não somente pelo encarecimento das apólices, afirma Fernando Cirelli, superintendente de linhas financeiras da corretora BR Insurance.

O seguro existe há 20 anos no Brasil. Segundo ele, nos primeiros dez anos, havia cerca de mil apólices do produto. Hoje, o número está estimado entre 5.000 e 7.000.

As 20 maiores apólices respondem por cerca de 35% do valor total. Cerca de 15 seguradoras comercializam o produto, embora a líder detenha 50% do mercado, afirma Miguel Villela, vice-presidente de linhas financeiras da corretora de seguros JLT Brasil.

Esse seguro pode ser acionado se um diretor for alvo de um processo no qual corra o risco de indenizar terceiros por prejuízos financeiros causados por uma decisão tomada no exercício da função.

Em vez de desembolsar dinheiro próprio, ele usaria o limite dado pela seguradora. O maior custo desses processos é o pagamento de honorários advocatícios e com a defesa. É possível ainda cobrir indenizações e multas decorrentes da ação judicial.

A Lava Jato provocou quase uma corrida por esse tipo de seguro, diz Villela. "A operação afetou bastante os órgãos públicos e as empreiteiras, o que motivou grandes empresas a buscar esses produtos", afirma.

A ressalva a ser feita é que o seguro não cobre crime doloso -quando o executivo participava do ato de corrupção e teve enriquecimento ilícito, por exemplo.

SINAL AMARELO

Se ajudou a impulsionar esse seguro no Brasil, a Lava Jato também acendeu o sinal amarelo nas seguradoras. Dispararam os casos em que a empresa é acionada para pagar as coberturas previstas na apólice. No primeiro ano de Lava Jato, houve aumento de 450% em relação a 2013 –até 2016, a alta acumulada era de 492,5%.

Como reflexo, as seguradoras ergueram barreiras para a contratação do produto e passaram a incluir cláusulas de exclusão de cobertura para atos que lesem a administração pública ou privada.

Ou seja, a seguradora poderia recusar a cobertura caso ficasse comprovada corrupção. Empreiteiras, empresas com contratos com órgãos públicos e do setor de energia e infraestrutura começaram a ter de desembolsar mais para ter a proteção.

"A Lava Jato aumentou a insegurança. Houve impacto nos prêmios pagos pelo crescimento da sinistralidade. Mas isso é pontual", afirma Juliana Casiradzi, gerente da corretora Marsh Brasil.

Para Villela, a restrição não afeta pequenas e médias empresas. "Essas continuam contratando com facilidade e preços mais competitivos.

Fonte: Folha de São Paulo 


Tags: seguros


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Destinação do IR deve ser feita até 28 de dezembro em Fernandópolis

Está em vigor em Fernandópolis a campanha “Seja Amigo da Criança”, que visa a arrecadação do Imposto de Renda para o Fundo da Criança e Adolescente.

Notícias Gerais, por Redação

Aumenta preferência do consumidor pelo pagamento com cartão

Na hora de pagar as contas, o consumidor tem preferido usar cartão de crédito e débito em detrimento do cheque, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC).

Notícias Gerais, por Redação

Empresas pagam 1ª parcela do 13º; confira os melhores investimentos

Até o dia 30 de novembro as empresas devem pagar a primeira parcela do 13º salário e quem está com as contas em dia e pretende investir esse dinheiro para uso em curto prazo deve optar por aplicações mais conservadoras, de acordo com especialistas.

Notícias Gerais, por Redação

Despesas Pessoais e Habitação influenciam alta da inflação na prévia do mês

A prévia da inflação oficial do País, medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15), teve variação de 0,43% em abril. Frente a março, o indicador subiu 0,18 ponto percentual, visto que, na medição daquele mês, a inflação ficou em 0,25%,

Notícias Gerais, por Redação

Bovespa: estrangeiro coloca R$ 507,2 milhões no dia 9

O mercado acionário brasileiro registrou a entrada líquida de R$ 507,177 milhões na última quinta-feira, dia 9, segundo dados da BM&FBovespa divulgado nesta terça-feira.

Notícias Gerais, por Redação

É prudente tomarmos medidas preventivas contra crise, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira (30) ser prudente o Brasil tomar medidas preventivas para enfrentar a crise externa.

Deixe seu Comentário:

=