Publicado por Redação em Notícias Gerais - 15/12/2015

Lava Jato: Justiça brasileira é severa com suspeitos e leniente com condenados, diz 'Economist'

A Operação Lava Jato da Polícia Federal, que investiga suspeitas de corrupção na Petrobras, trata suspeitos de forma "muito dura" e seus condenados com "leniência demasiada", disse a revista britânica The Economist desta semana.

Esquema teria desviado bilhões de reais da Petrobras, segundo a Lava Jato

Dezenas de empresários e políticos, a maioria da base aliada da presidente Dilma Rousseff, foram condenados ou acusados formalmente por integrarem um esquema bilionário de desvio de verbas na estatal.

Outros suspeitos foram presos preventivamente, entre eles o empresário Marcelo Odebrecht, presidente afastado da Odebrecht, maior construtora do país. Vários detidos assinaram acordos de delação premiada e estão colaborando com as investigações.

Sob o título 'Weird Justice' (Justiça estranha), o artigo critica o sistema criminal e judiciário brasileiro, "baseado num código penal antiquado (de 1940) e que fica aquém em muitos aspectos de normas internacionais", que permite a prisão de suspeitos sem acusação e a libertação de condenados para que recorram das sentenças.

"As cortes tratam suspeitos com severidade excessiva, e condenados com leniência demasiada", diz a revista, na edição que começou a circular nesta sexta-feira.

"O problema não está confinado a plutocratas pegos pela Lava Jato. Cerca de dois quintos dos 600 mil detentos no Brasil estão à espera de julgamento. Esse encarceramento em massa de pessoas de presumida inocência é sinal de que algo está errado" com o sistema do país.

O artigo cita como exemplo a prisão de Odebrecht, que contratou o escritório de advocacia londrino Blackstone para analisar se a conduta da Lava Jato é compatível com padrões internacionais.

Segundo um relatório da Bçackstone citado pela revista, o uso de prisão preventiva pelo juiz Sérgio Moro, que comanda a Lava Jato, pode levantar "questões sérias" e violar convenções das quais o Brasil é signatário. O escritório diz que muitos dos detidos sem julgamento deveriam ser libertados.

"Prisões preventivas não podem ser usadas para intimidá-los a cooperar com as investigações ou sinalizar a gravidade das acusações que eles enfrentam. Os interrogadores da Lava Jato negam estar fazendo isso, mas os leitores do relatório da Blackstone ficarão pensando", diz o texto.

Moro tem defendido as prisões, dizendo que muitos dos suspeitos podem atuar para atrapalhar as investigações. Mas alguns detidos foram libertados após a Justiça conceder-lhes habeas corpus.

A revista diz que a lei brasileira "pode ser tão estranhamento indulgente quanto é dura" ao permitir que condenados sejam libertados para que recorram de sentenças.

"Muitos críticos do sistema, incluindo Moro, acreditam que condenados deveriam recorrer em suas celas na prisão. Isto faria sentido. Assim como uma reforma do código criminal que deixaria em liberdade pessoas com presumida inocência e lhe dessem garantia de um julgamento justo", diz o texto.

"Moro está certo em aplicar a lei, mas a lei em si precisa mudar".

Fonte: BBC Brasil


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Vendas das pequenas empresas crescem 10,2%

As micro e pequenas empresas do Grande ABC tiveram um 2012 complicado, acompanhando o ritmo mais lento da economia.

Notícias Gerais, por Redação

Ibovespa abre em campo positivo no aguardo de fala de Bernanke

O bom humor guia os negócios na bolsa brasileira no início do pregão desta terça-feira (17) com investidores no aguardo de novas pistas, que podem vir do discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no Congresso.

Notícias Gerais, por Redação

Economia e envelhecimento: o que esperar para os próximos anos

Durante o 48º Seminário do IIS, o governador americano Dirk Kempthorne ressaltou a importância de mudanças na longevidade para as economias mundiais

Notícias Gerais, por Redação

IPC-S acelera para 0,47% na 2ª quadrissemana de março, diz FGV

O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) acelerou a alta para 0,47% na segunda quadrissemana de março, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas) nesta sexta-feira (16).

Notícias Gerais, por Redação

Ex-presidente do PT é nomeado diretor corporativo da Petrobras

O conselho de administração da Petrobras aprovou o nome do ex-presidente do PT e da própria companhia, José Eduardo Dutra, para a nova diretoria corporativa e de serviços da estatal, em reunião nesta quarta-feira.

Notícias Gerais, por Redação

Dólar dá continuidade à queda e se aproxima de R$ 1,75

A última sessão da semana começa com a manutenção do ritmo de queda do dólar, que passa a operar já perto do patamar de R$ 1,75.

Notícias Gerais, por Redação

ONU quer arrecadar US$ 7,7 bilhões para ajuda de emergência

A ONU precisa de US$ 7,7 bilhões para fornecer ajuda de emergência a 51 milhões de vítimas das mudanças climáticas, da crise econômica ou da urbanização, em 16 países diferentes, indicou nesta quarta-feira a coordenadora da ajuda humanitária da ONU, Valerie Amos.

Deixe seu Comentário:

=