Publicado por Redação em Gestão do RH - 21/01/2026
‘Líderes formam líderes’: a estratégia desta diretora para desenvolver talentos na Direcional
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A cena se repete em cada edição do “Dia D”. Um auditório cheio de aprendizes e estagiários observa, em silêncio atento, líderes jovens e veteranos subirem ao palco para contar suas trajetórias — sucessos, erros, dúvidas, lições. Alguns desses líderes começaram exatamente ali, sentados entre os estagiários.
Outros já acumulam décadas de engenharia. Para Valeria Plata, diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia e membro do Clube CHRO da EXAME e Saint Paul, é nesse encontro entre gerações que a cultura da empresa se materializa: uma cultura em que, como ela define, “líderes formam líderes”.
Valeria detalha a estratégia que vem redesenhando a formação de liderança e o desenvolvimento de jovens talentos no grupo. Dois programas — o DiRi Mentoring, voltado para líderes, e o Protagonize, dedicado a aprendizes, estagiários e trainees — revelam como a Direcional busca preparar pessoas em diferentes estágios de carreira, estimulando protagonismo, profundidade técnica e crescimento sustentável dentro da organização.
Com mais de 25 anos de experiência em Recursos Humanos, comunicação interna, projetos, saúde, segurança e sustentabilidade, Valeria construiu sua trajetória em empresas familiares e multinacionais, sempre transitando por estruturas complexas e culturas diversas.
Atuou como consultora e senior advisor, estruturou áreas de RH e implantou governança corporativa para gestão de pessoas, definindo políticas, mitigando riscos estratégicos, trabalhistas e previdenciários. Liderou business partners, implementou softwares de people analytics e programas robustos de formação.
Ao chegar à Direcional, assumiu a responsabilidade pela estratégia completa de RH, remodelando a estrutura, programas e processos de RH para suportar o crescimento do negócio.
Sua base, no entanto, continua sendo o desenvolvimento de pessoas. “Embora eu cuide de toda a área de RH, a área de desenvolvimento de pessoas é a minha área de formação”, afirma.
O nascimento do DiRi Mentoring
Dentro da DiRi Academy — a estrutura de aprendizagem corporativa que organiza cursos, workshops, fóruns, coaching e feedback estruturado — um programa de liderança já vinha funcionando havia três anos, combinando sala de aula invertida e workshops presenciais. Mas algo chamou a atenção da área de RH: a necessidade de um canal mais direto de troca entre líderes.
A partir dessa observação surgiu o DiRi Mentoring, programa em que líderes experientes se tornam mentores de outros líderes. O primeiro passo foi perguntar quem tinha real interesse em ser mentor. “Tem que partir deles esse desejo. Exige disponibilidade, exige doação de tempo e de repertório”, diz Valeria.
Depois veio a etapa decisiva de analisar se esses líderes estavam prontos para mentorar. A empresa cruzou as indicações com avaliações de desempenho e comportamentais.
Alguns candidatos descobriam, no processo, que competências listadas como pontos fortes eram justamente seus maiores pontos de desenvolvimento. O critério não era excluir, mas gerar autoconhecimento. “Muitas vezes o que a pessoa prega não é exatamente o que ela executa”, a diretora comenta.
Ao final, 18 mentores foram aprovados. E, em uma escolha consciente, a Direcional deixou que as competências surgissem deles: gestão de carreira, visão sistêmica, liderança, habilidades de gestão.
Paralelamente, 23 mentorados foram selecionados entre talentos mapeados em sucessão e alta performance. Valeria fala de forma bem clara que a compatibilidade só funciona quando existe intenção de ambos os lados: “Eu quero ser mentor, eu quero ser mentorado.”
Após workshops preparatórios com um mentor profissional, a dinâmica estabelecida foi que os mentorados escolhem seus mentores dentro da plataforma, analisando cases, competências e trajetórias. O RH acompanha, mas não interfere.
"Queríamos sair do modelo tradicional de sala de aula e trazer protagonismo para quem está na jornada"Valeria Plata, diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia
O desafio do protagonismo entre jovens talentos
Se o DiRi Mentoring atende lideranças experientes, o Protagonize mira o outro extremo da pirâmide. Hoje, a Direcional tem 886 jovens profissionais distribuídos em três trilhas: 317 aprendizes, 563 estagiários e 6 trainees — estes últimos identificados por meio do eixo Acelere, que acelera carreiras internas com base em potencial e entrega.
O programa combina trilhas de competências não técnicas e técnicas, gamificação por meio do DiRi Points e feedback estruturado nas reuniões de alinhamento. Mas a falta de iniciativa entre muitos jovens foi um padrão que chamou a atenção da liderança. “Eles têm um potencial gigantesco, mas esperam ser convidados”, resume Valeria.
Outro desafio recorrente é a relação com a repetição e com a profundidade técnica, especialmente na engenharia. Ela explica: “Uma frente de serviço nunca é igual à outra. Você precisa repetir para ganhar experiência. Vai errar, vai fazer de novo, talvez errar de novo, e na terceira vez acertar.”
O Protagonize foi criado para ajudar nessa construção de repertório, mostrando que cada etapa — aprendiz, estágio, aceleração — é parte de uma jornada longa dentro da empresa. Não por acaso, a executiva cita líderes atuais que começaram como estagiários há 12 anos e hoje comandam canteiros e equipes inteiras.
No Dia D, a ligação entre as gerações se reforça, onde os líderes contam histórias reais de fracassos, escolhas e aprendizados. Jovens observam, se reconhecem e se projetam.
Mesmo líderes que não atuam como mentores formais participam como influenciadores — e voltamos ao princípio central de Valeria de que líderes formam líderes.
A lógica por trás dos programas: desenvolver pessoas respeitando o tempo de cada carreira
Ao final da conversa, Valeria resume o sentido maior dos programas. O DiRi Mentoring nasce da experiência e da maturidade; o Protagonize, da energia e do potencial. Mas ambos se encontram no mesmo propósito de desenvolver pessoas respeitando o estágio de carreira em que cada uma está.
“Não é com a mesma ferramenta que a gente desenvolve pessoas em momentos diferentes”, diz. “A área de desenvolvimento precisa se preocupar com necessidades distintas e ofertar programas que atendam cada uma delas”, ela finaliza.
Fonte: Exame







