Publicado por Redação em Previdência Corporate - 24/10/2016

Trabalhadores temem prejuízos com a reforma previdenciária

O designer gráfico, Leonel Laterza, 51, é servidor do Judiciário há 30 anos

A informação de que o governo vai endurecer as regras da Previdência preocupa funcionários públicos e trabalhadores da iniciativa privada.

O designer gráfico Leonel Laterza, 51, servidor do Judiciário há 30 anos, tem, na ponta da língua, a estimativa do tempo extra que pode ter de trabalhar.

"Quando eu entrei no Judiciário, poderia me aposentar aos 54. Depois, teve mudança e a idade foi a 57. Agora, vou me aposentar só aos 60."

O cálculo de Laterza foi feito com base na ideia do governo de aplicar uma transição para homens a partir de 50 anos e mulheres a partir de 45. Em vez de entrarem totalmente nas novas regras, pagariam um pedágio de 50% do tempo que falta para aposentadoria. No caso dele, em vez de trabalhar mais seis anos, faltariam nove anos.

"Isso é mudar a regra no meio do jogo. Concordo que tem que ter reforma, mas antes da contratação", afirmou. "Se me aposentar aos 60, tudo bem. Mas e se, no meio do caminho, ampliarem o prazo? Eu não quero me aposentar e ir para o hospital. Estou achando que vou me aposentar aos 90. Não confio mais."

Dona de um estúdio de pilates, Eliana Uno, 46, procura um plano de previdência complementar. Pelo INSS, ela diz que terá de contribuir por muito tempo para receber um benefício bem menor que o rendimento atual.

"Eu deveria ter buscado essa opção antes. Agora, já penso em fazer plano de previdência complementar para os meus filhos, de 19 e 21 anos."

A iminência da reforma da Previdência preocupa até quem já possui os requisitos atuais para se aposentar. Nesses casos, o governo garante que não terá alteração.

Com condição de se aposentar desde 2009, a servidora Rosângela da Silveira, 57, teme uma mudança de regras antes do início de 2017, quando pretende se aposentar.

"A população que tem que pagar tudo, com imposto e outras contribuições. Nós, aposentáveis, trabalhamos pelo menos 35 anos de nossas vidas e, quando deveríamos desfrutar da nossa merecida aposentadoria, somos engolidos por políticas que não nos respeitam."

A defensora pública federal Diana Andrade notou apreensão dos trabalhadores. "As preocupações são as mais diversas. As pessoas já começam a pensar no que vai acontecer com a vida delas, ainda que a proposta não tenha sido enviada."

A Justiça pode ser acionada se a reforma for aprovada, segundo ela."Podemos recorrer ao Judiciário, individualmente, para questionar a constitucionalidade de eventuais retrocessos."

Fonte: Folha de São Paulo


Posts relacionados

Previdência Corporate, por Redação

O que é preciso saber sobre previdência complementar

Com o propósito de esclarecer algumas dúvidas a respeito da Previdência Complementar do servidor público, instituída em nosso ordenamento jurídico por intermédio da Lei 12.618, de 30 de abril de 2012,

Previdência Corporate, por Redação

INSS: 87% dos consignados são parcelados de 49 a 60 meses

As operações de crédito consignado realizadas por aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) somaram 1.365.287 em fevereiro.

Previdência Corporate, por Redação

Previdência Social é a prioridade nas votações da Câmara Legislativa

Apesar do ano "curto" no Legislativo por conta das eleições municipais e do tensionamento com bancadas partidárias governistas no Congresso em decorrência da crise política envolvendo as pastas das Cidades e da Integração Nacional, o

Previdência Corporate, por Redação

Mínimo de guia de recolhimento da Previdência vai para R$ 10

O valor mínimo de recolhimento para a Previdência Social foi reduzido. Instrução normativa da Receita Federal publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União diminuiu de R$ 29 para R$ 10 o valor mínimo de preenchimento da Guia de Previdência Social (GPS).

Previdência Corporate, por Redação

Audiência no Senado debate alternativas ao fator previdenciário nesta terça

A Subcomissão Permanente em Defesa do Emprego e da Previdência Social do Senado promove, nesta terça-feira (29), audiência pública para debater alternativas ao fator previdenciário.

Deixe seu Comentário:

=