Publicado por Redação em Dental | 24/07/2015 às 11:19:15


HPV aumenta câncer de boca e de garganta em jovens


Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os cânceres de cavidade oral e orofaríngeo estão entre os dez tipos de maior incidência em homens brasileiros. Porém, os registros de câncer de boca e garganta eram quase que exclusivamente entre pessoas acima de 50 anos. Atualmente este dado mudou e chama a atenção dos oncologistas.

Cada vez mais jovens, tem apresentado tumores malignos. “A média etária de pessoas com câncer nessas áreas tem caído. Hoje em dia, atinge cerca de 30 a 40% de pessoas que não são tabagistas nem estilistas, e são mais jovens”, afirma o oncologista Luiz Paulo Kowalski, Diretor do Núcleo de cabeça e Pescoço do Hospital A.C. Camargo.

Contudo, mesmo que o cigarro e o álcool ainda sejam as principais causas dos cânceres, eles costumam exigir uma exposição prolongada para o desenvolvimento de um tumor – entre 15 e 30 anos de consumo. Sendo assim, outro fator de risco tem sido considerado pelos pesquisadores: o papiloma vírus, popularmente conhecido como HPC, que tem a capacidade de desenvolver um câncer em menos tempos.

“Com a queda do consumo do tabaco, esperávamos diminuir a incidência e a mortalidade do câncer, mas houve uma mudança de perfil. Está caindo o número de cânceres relacionados ao tabaco, devido às campanhas de controle, mas estão aumentando os casos relacionados ao HPV”, afirma Luiz Paulo Kowalski.

Em outra pesquisa, supervisionada por Kowalski, os médicos diagnosticaram 32% dos casos de câncer de boca em jovens adultos, que eram portadores do vírus. Em pacientes acima de 50 anos, a presença do vírus foi detectada em apenas 8%.

Já no Brasil, um estudo atual feito com a orientação da bióloga e geneticista do A.C Camargo e da Univerdade Estadual paulista (Unesp), Sílvia Regina Rogatto, aponta que em casos de câncer de amídala a incidência do HPV cresceu de 25%, registrados há 20 anos, para 80%.

“A presença em grandes capitais é mais evidente, pois os hábitos costumam ser um pouco diferente” analisa Kowalski. Mas não se deve relacionar a transmissão exclusivamente à atividade sexual. “O vírus pode ser transmitido pela saliva, com um beijo. Antigamente, não era educado beber no copo de ninguém, hoje já é uma coisa normal”, finaliza o oncologista.

Estima-se que entre 25% e 50% das mulheres e 50% dos homens estejam infectados pelo HPV em todo o mundo. Mas a maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imune. De acordo com as pesquisas feitas entre homens norte-americanos, mexicanos e brasileiros, ao menos 2% da população adulta tem o vírus HPV e não apresentam nenhum sintoma.

SINTOMAS: Existem papilomas que são como verrugas que podem aparecer na garganta ou na boca. Quem apresenta alguma ferida deve observar se ela está demorando a cicatrizar. Porém, mesmo quando um tumor maligno já se desenvolveu, pode não haver lesão visível. Em outros casos, pessoas que tiveram infecção podem não ter anticorpos elevados também. “A infecção pode ser silenciosa”, conta o médico.

Em geral, os cânceres de boca e garganta podem apresentar dor constante, nódulos, dificuldade para mastigar, rouquidão, dor na língua e mau hálito constante. “Quanto mais precoce o diagnostico, melhor, pois o tratamento não é tão agressivo as chances de recuperação são maiores. Uma lesão que durar mais de 15 dias é porque tem algo errado”, alerta o oncologista.

PREVENÇÂO: A vacinação é a melhor forma de se prevenir. ”Ela dá imunização fazendo as três doses fundamentais para que se inicie uma campanha para vacinar todo mundo, principalmente meninos e meninas antes de iniciarem a vida sexual. Nós precisamos começar a trabalhar agora para ter efeito daqui a 15 ou 20 anos”, coloca Kowalski.

Sexo seguro, alimentação balanceada, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas e uma boa higiene oral são formas de prevenção. “um terço dos casos de câncer poderiam ser evitados se houvesse alimentação adequada e a prática de atividades físicas”, explica o nutricionista Fábio Gomes da Silva, da Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Instituto nacional do Câncer (Inca).

Fazer o auto-exame da boca com frequência também é importante. Analise a mucosa na bochecha, abaixo da língua, acima, e observe se há manchas avermelhadas e esbranquiçadas ou pequenos nódulos.

Fonte: Portal APCD/Jornal o Estado de São Paulo


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