Publicado por Redação em Notícias Gerais - 16/09/2015

Le Monde analisa fenômeno dos "policiais assassinos" no Brasil

Formatura de policiais militares de São Paulo

A edição desta quinta-feira (10) do jornal vespertino francês Le Monde traz um artigo da correspondente do jornal no Brasil sobre as chacinas e assassinatos cometidos por policiais no país. O texto tem como ponto de partida o assassinato a tiros de 19 pessoas há três semanas em bares de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, por homens mascarados. Segundo o artigo, os principais suspeitos do crime seriam policiais.

O diário entrevistou Zilda Maria de Paula, mãe de um dos mortos, Fernando Luiz de Paula, de 34 anos. "Antes, quando um policial era assassinado, dez deliquentes eram executados. Hoje em dia, são dez inocentes executados", contou a mulher à jornalista em sua casa na favela Brasilândia, em Osasco.

Entrevistado pelo Le Monde, o ex-coronel da Polícia Militar (PM) Adilson Paes de Souza, hoje militante dos direitos humanos, disse que "o que aconteceu em Osasco e Barueri obedece infelizmente a um modelo de ação quase clássico no Brasil".

Em todo o país, o mesmo cenário se repete: um policial é morto por deliquentes. Alguns dias mais tarde, uma expedição punitiva é montada pelos membros das forças de segurança no mesmo bairro. Em Osasco e Barueri, o assassinato de um policial em um posto de gasolina teria motivado a chacina.

"A lógica é matar ou morrer"

Para a maior parte dos especialistas, essa violência policial é o resultado da falência dos sistemas judiciário e carcerário. Quando acontece a morte de um policial, a corporação sabe que as chances de prender o criminoso são ínfimas. Apenas 8% dos casos de homicídio são solucionados. E, se o autor do crime for preso, o sistema carcerário está dominado pelo crime organizado. Uma vez na prisão, o criminoso será considerado um heroi, explica Paes de Souza. Por essa razão, os policiais fariam "justiça com as próprias mãos".

O ex-coronel da PM, autor do livro "O Guardião da Cidade", para o qual entrevistou policiais assassinos, a amplitude das chacinas tem como objetivo instalar um clima de terror. Uma arma de dissuasão no bairro dos delinquentes.

Apenas um suspeito das chacinas de Osasco e Barueri foi interrogado. Ele é membro da polícia. Pressionado pela opinião pública, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) ofereceu uma recompensa de RS$ 50 mil pela identificação dos culpados. O texto finaliza dizendo que essa ação é um reconhecimento do fracasso do sistema.

Fonte: MSN


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Como as empresas devem se preparar para o crescimento acelerado de dados

Maioria sabe o que é o modelo, mas poucas, de fato, investem no conceito para ampliar a competitividade e impulsionar os negócios

Notícias Gerais, por Redação

Prévia da inflação oficial acelera e sobe 5,24% em 1 ano

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) (prévia da inflação oficial do país) acelerou acima do esperado em julho ao registrar alta de 0,33%, ante avanço de 0,18% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Notícias Gerais, por Redação

Número de usuários ativos na internet cresce 18% em um ano

O número de usuários ativos da internet brasileira, tanto no trabalho quanto em residências, cresceu 18% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, atingindo 48,7 milhões de pessoas.

Notícias Gerais, por Redação

Bolsas da Ásia recuam após dados ruins da China e dos EUA

As Bolsas de Valores asiáticas fecharam em baixa nesta quarta-feira, após a divulgação de dados ruins sobre as fábricas da China e a revisão negativa do crescimento dos Estados Unidos, alimentando temores sobre a economia global.

Notícias Gerais, por Redação

Índice de preços para 3ª idade desacelera no 3º trimestre

Os preços para a terceira idade registraram alta de 0,91% no terceiro trimestre e desaceleraram na comparação com o segundo trimestre, quando o índice variou 1,30%. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Deixe seu Comentário:

=