Publicado por Redação em Notícias Gerais - 11/05/2015

Mundo corporativo: salve-se de você mesmo! Diga não!

Corrida pelo dinheiro e status

ENGRENAGENS DO MUNDO CORPORATIVO

Vamos tomar como exemplo a história de um profissional de uma grande corporação.

Este executivo é eficiente e eficaz. Trabalha de forma incansável. Ele é honesto (sim, existem executivos honestos) cumpre com precisão todas as suas obrigações.

O que ele ganha ao final de um projeto como prêmio à sua dedicação?

Adivinhem.

Ganha mais trabalho.

Então o que ele faz?

Trabalha mais. Continua competente, continua com a mesma eficiência e eficácia.

O que ganha com isso?

Mais trabalho.

Deixa a família em segundo plano, abandona os amigos, já não tem uma vida de relação, não consegue atualizar-se pois dedica-se integralmente ao seu trabalho.

O que ganha com isso?

– Mais trabalho.

HOMENS E LARANJAS

Essa corporação em particular tem uma fórmula interessante de administrar a mão de obra. Colhe um profissional no mercado de trabalho como quem colhe uma laranja no pomar. Traz este profissional para as insensíveis engrenagens de seu dia a dia corporativo e o espreme. Espreme. Até arrancar a última gota. E quanto não restar mais nada descarta essa casca vazia sem o menor constrangimento.

Afinal os pomares estão cheios de laranjas maduras ansiosas para serem espremidas.

Vocês conhecem um mundo corporativo assim?

Não quero fazer aqui uma apologia à indisciplina nos meios corporativos, quero apenas convidá-los a realizar comigo uma reflexão:

Os aspectos materiais da vida, como por exemplo o trabalho, são a própria vida, ou fazem parte dela?

Será que nossa dimensão profissional há de tomar conta de toda a nossa vida e como um chama insaciável há de consumir todo o resto.

Aprendi que o trabalho, assim como os aspectos econômicos e financeiros, fazem parte da vida — sem dúvida um parte importante — mas, será que constituem toda a vida?

A vida é simplesmente trabalhar-para-conseguir-dinheiro-para-comprar-coisas?

Algo como uma árvore na qual cresce apenas um dos ramos?

E todos nós sabemos como termina essa triste história.

Termina em desemprego, porque chegará o dia em que ele atingirá o limite de sua competência.

MEA CULPA

E quem é o culpado?

O modo de produção selvagem que valoriza apenas o capital? E produtividade é um termo polido para praticar-se a exploração?

Pode ser.

Porém, eu prefiro fazer o mea culpa e entender que sempre eu posso dizer não. Afinal, sou obrigado a trabalhar onde me exploram o tempo todo?

Eu já fiz isso. Pedi a demissão de uma grande empresa e saí da área de ação de suas engrenagens.

Evidentemente isso me custou o bom salário que eu recebia.

Mas depois de algum tempo – descontado os impostos – eu percebi que não ganhava tanto assim.

Hoje ficou óbvio que ao dizer não a esse modus operandi eu estava, no fundo, me salvando de mim mesmo.

É preciso construir esse equilíbrio entre o ter e o ser.

Principalmente nesses dias turbulentos tomados pelo pessimismo e pela histeria de que tudo está irremediavelmente errado.

É evidente que precisamos de abrigo, roupa, alimentos, educação, lazer, etc. e tudo isso custa dinheiro.

Mas até que ponto a necessidade e a vontade estão em harmonia?

CUMBUCAS PÓS-MODERNAS

Já contei aqui a metáfora escrita por Louis Powels de como as antigas tribos humanas caçavam macacos na floresta.

Amarravam nos galhos mais altos das árvores, cumbucas contendo guloseimas.

Os macaquinhos não resistiam à tentação daquelas prendas.

Ao cerrarem os punhos dentro das cumbucas, a boca estreita do recipiente, não permitia a retirada de suas mãos e ficavam então aprisionados. O instinto não lhes permitia abrir as mãos. Daí vem a expressão: – macaco velho não põe a mão em cumbuca.

O que esta história quer simbolizar?

É que ao fechar os punhos dentro de suas armadilhas aquelas criaturas se tornaram prisioneiras de seus pertences.

Será que existem muitas cumbucas psicológicas espalhadas naquelas árvores onde crescem um ramo só?

Artigo de Mustafá Ali Kanso

Fonte:

Hypescience


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