Publicado por Redação em Notícias Gerais - 14/05/2012

Valorização do dólar deve ter fôlego curto, dizem analistas

O ciclo de alta do dólar, que encerrou a segunda semana de maio com valorização de 1,56%, valendo R$1,954 para a compra e R$ 1,956 para a venda, não deve perdurar por muito tempo, afirmaram especialistas ouvidos pela BBC.

Influenciada pelo mau humor dos mercados, em especial pelas incertezas sobre os rumos da economia europeia, a moeda americana subiu 0,2% na última sexta-feira, 12, atingindo sua quinta alta semanal consecutiva e acumulando valorização de, aproximadamente, 4,6% neste ano.

Embora não descartem a hipótese de que o dólar venha a ultrapassar a barreira dos R$ 2, é pouco provável que o governo não siga atento à valorização da divisa americana e lance mão de medidas, caso necessite interromper a trajetória de alta, preveem os analistas. Eles acreditam, entretanto, que a moeda dos Estados Unidos oscile em torno da cotação atual, entre R$ 1,90 e R$ 2.

"Ainda não se pode garantir que a desvalorização do real seja permanente. Por ora, a alta do dólar é resultado de um conjunto de fatores, e não tem influenciado tão fortemente o preço dos bens de consumo a ponto de gerar inflação e demandar uma ação imediata do Banco Central", disse à BBC Brasil o ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Maílson da Nóbrega.

Entre tais fatores - que explicariam a valorização do dólar citada pelos economistas, estão a indefinição sobre o futuro da economia europeia, a queda no preço internacional das commodities, principalmente, as metálicas, e as políticas recentemente adotadas pelo governo brasileiro, desde a redução da taxa básica de juros, a Selic, até mecanismos de controle cambial.

"Com a escalada do temor sobre a crise da dívida grega e de outros países europeus, investidores de todo o mundo tendem a buscar um porto seguro, no caso, os Estados Unidos, e tirarem dinheiro de países emergentes, como o Brasil", afirmou Samy Dana, professor de economia da EAESP-FGV.

"Aqueles investidores que também apostavam nos juros elevados acabaram revendo suas posições. A desvalorização do câmbio é, portanto, um reflexo do posicionamento desses capitais, parte dos quais buscam a saída na medida que a rentabilidade cai", avalia Paulo Rabello de Castro, diretor-presidente da agência de classificação de risco SR Ratings.

"Por fim, além da queda no preço internacional das commodities, que traz menos dólares ao País, valorizando a moeda americana, há um elemento gerador de incertezas no discurso do governo, que, em sua cruzada por juros menores, dá sinais erráticos aos mercados com suas intervenções. Tudo isso impacta negativamente o câmbio", defende Maílson da Nóbrega.

Exportações
Para a equipe econômica do governo, a sensação é de que a alta do dólar, por enquanto, não representa motivo para preocupação. O real desvalorizado acaba por beneficiar as exportações de produtos brasileiros, tornando-os mais baratos e competitivos no mercado externo, como sinalizou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada.

Com a valorização da moeda americana, o governo aproveita para atender o pleito do setor exportador, que vinha reclamando de seguidos prejuízos frente à concorrência internacional, especialmente de produtos chineses, avaliam os especialistas.

Por outro lado, embora incentive as exportações, ao ultrapassar a barreira dos R$ 2, a moeda americana pode elevar o preço de insumos importados, encarecendo a cadeia produtiva e impactando a inflação.

"Ainda assim, pesaria a favor do controle da inflação o preço menor das commodities no mercado internacional, o que equilibra a alta do dólar", diz Reginaldo Nogueira, coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec.

Juros
Na semana passada, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicaram que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,64% em abril, taxa três vezes superior a de março, quando o índice subiu 0,21%.

No acumulado dos últimos 12 meses, entretanto, a inflação atingiu 5,1%, abaixo dos 5,24% relativos ao mesmo período imediatamente anterior.

Questionados se a alta do dólar poderá influenciar na condução da atual política monetária do Banco Central (BC), diminuindo a capacidade de manobra para a redução dos juros, atual bandeira do governo de Dilma Rousseff, os analistas ouvidos pela BBC Brasil afirmaram que o mais provável é que a meta de juros de 8% ao ano continue sendo perseguida "custe o que custar".

"O governo dá sinais claros de que pretende incentivar o crescimento da economia brasileira através da demanda interna, com a redução da Selic, e, agora, da externa, com as exportações aumentadas pela valorização do dólar. A inflação, por ora, não parece ser objeto de análise", afirma Nogueira.

"Além disso, o efeito do câmbio na inflação não é imediato. O governo também possui instrumentos para regular o câmbio valorizado, caso o dólar suba muito. O volume das reservas internacionais, por exemplo, está num patamar historicamente alto, com cerca de US$ 350 bilhões. Se precisar, o governo vende dólares para desvalorizar a moeda americana", acrescenta.

"Por fim, mesmo na hipótese de o dólar continuar subindo, um eventual repasse de preços tende a ser, por ora, descartado, na medida que os estoques de produção ainda estão altos", diz Dana.

Fonte: Terra


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