Publicado por Redação em Notícias Gerais - 23/08/2012

BC e economistas divergem sobre endividamento das famílias

O seminário Políticas Públicas de Estímulo ao Consumo e seus Reflexos na Economia Brasileira, realizado na quarta-feira na Câmara dos Deputados, foi marcado por divergências entre os dados estatísticos apresentados por técnicos da iniciativa privada e do governo. O presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, Manuel Enriquez Garcia, disse que o endividamento das famílias chega a 57% da renda e que o nível de poupança do país é 17,2% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas e bens produzidos no País.

Números contestados pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel. Ele assegurou para uma plateia de economistas e assessores parlamentares, no Auditório Nereu Ramos, que o comprometimento da renda é 43,4%, e cai para 31,1% excluídos os créditos imobiliários. Parcela que, no seu entender, deve ser vista como geração de patrimônio, embora comprometa parte considerável da renda. E a taxa de investimento é 19,1% do PIB, acrescentou.

Polêmicas à parte, "o certo, porém, é que se trata de dívida", de acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia no Distrito Federal (Corecon-DF), Jusçanio Umbelino de Souza, e "toda forma de endividamento deve ser vista com muita cautela". Segundo ele, a oferta de crédito e aumento de consumo resolvem dificuldades de curto prazo, mas podem provocar descontroles contábeis a médio e longo prazos. Daí a necessidade de mais investimentos em educação financeira.

Túlio Maciel ressaltou que "o crescimento do consumo se traduz em bem-estar". Tanto que de 2003 a 2011 em torno de 40 milhões de brasileiros ascenderam socialmente, engrossando o mercado consumidor. E a expansão se deu em virtude do maior dinamismo econômico do país, com mais oferta de empregos e crescimento da renda, acrescidos da estabilidade de preços e da diminuição dos custos financeiros nas operações de crédito, acrescentou.

De acordo com o técnico do BC, o estoque de créditos no sistema financeiro nacional (SFN) correspondia, em junho último, a 50,6% do PIB, dos quais 26,9% contratados por empresas e 23,7% por pessoas físicas. Comprometimento que ele acha baixo, considerando-se níveis de 230,3% nos Estados Unidos, de 145,9% na China ou mesmo de 96% no Chile. Além de haver mais margem para aumento do crédito, ele ressalta também a solidez do sistema bancário, que trabalha com índice de capital mínimo regulatório bem acima dos 8% exigidos pelo Acordo de Basileia (estabeleceu mecanismos para mensuração do risco de crédito e definiu a exigência de capital mínimo para suportar riscos). Por recomendação do BC, o índice mínimo no Brasil é 11%.

Fonte: Terra


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Motorista de carro de SP deve migrar para ônibus, diz Tatto

Prefeitura quer aumentar velocidade média dos coletivos, diz secretário. Meta é ter 220 km de faixas exclusivas e 150 km de corredores de ônibus.

Notícias Gerais, por Redação

Com arrecadação em queda, Receita lança malha fina de empresas

Em ano de queda na arrecadação de impostos, a Receita Federal lançou, nesta segunda-feira, o Programa Alerta, uma espécie de "malha fina" para as pessoas jurídicas.

Notícias Gerais, por Redação

Governo economiza R$ 44 bi nos primeiros quatro meses do ano

O governo central - que reúne as contas do Banco Central, Previdência Social e Tesouro Nacional - economizou R$ 44,2 bilhões nos primeiros quatro meses deste ano, segundo informou nesta quarta o Tesouro Nacional.

Notícias Gerais, por Redação

MetLife foca no crescimento global

A MetLife irá mudar seu mix de produtos nos Estados Unidos e focar mais no crescimento em mercados internacionais para elevar substancialmente seus ganhos até 2016, informou a maior seguradora de vida dos EUA nesta quarta-feira.

Notícias Gerais, por Redação

IBGE: número de assalariados no País sobe 17,3% em quatro anos

O número de assalariados no País aumentou 17,3% de 2007 a 2010, passando de 36,7 milhões para 43 milhões, de acordo com o Cadastro Central de Empresas (CEMPRE)

Notícias Gerais, por Redação

Peluso propõe que CNJ mude interpretação de regra contra nepotismo

Em sua última sessão à frente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o presidente Cezar Peluso afirmou que a regra que proíbe o nepotismo está sendo interpretada de forma muito ampla

Deixe seu Comentário:

=