Publicado por Redação em Notícias Gerais - 14/09/2011

Em fórum, economistas alertam para câmbio valorizado

Num debate que começou com um concerto de flauta e uma palestra da atriz Fernanda Montenegro lembrando a importância do ministro da Educação Gustavo Capanema no primeiro governo de Getúlio Vargas, economistas chamaram a atenção para o câmbio valorizado na economia brasileira.

O Fórum Especial foi coordenado pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso e ocorreu no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico).

"A curtíssimo prazo, a grave ameaça é o câmbio", alertou o embaixador Rubens Ricúpero, ex-ministro da Fazenda. "As importações é que capturam as oportunidades de consumo", disse, para mostrar como a indústria brasileira perde competitividade com o real valorizado.

"Tivemos um certo alívio nos últimos dias, mas não sabemos se vai durar ou não", disse Ricúpero. Ele reconheceu ser "muito difícil" uma solução para o problema, por falta de regras institucionais que controlem o valor das moedas, desde que o governo Nixon abandonou o padrão-ouro para a conversão do dólar, em 1973. "Não há remédios legais para uma guerra cambial", lamentou.

Especialista em contas públicas, o economista Raul Velloso afirmou que o Brasil vai continuar atraindo dólares, e, portanto, mantendo o real valorizado, para manter os gastos governamentais em todos os benefícios sociais. "Temos de repensar o Welfare State tropical", afirmou Velloso. "O Banco Central virou um operador de overnight dos bancos estrangeiros."

Participantes também alertaram que o BNDES não pode ter o peso que tem atualmente para incentivar investimentos das empresas brasileiras. "É uma anomalia extraordinária só termos o BNDES para financiar o longo prazo no país", afirmou Julio Sergio Gomes de Almeida, diretor-geral do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

O diretor técnico do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Carlos Rocca, afirmou que a taxa de poupança interna é insuficiente para financiar o investimento no Brasil.

Ao dizer que é necessário "recuperar a poupança do setor público", Rocca lembrou que o mercado de títulos públicos, que o governo mantém para se financiar, sufoca a formação de um mercado de negociação de títulos de dívida privados, uma das formas de financiamento de longo prazo, assim como o mercado de capitais, que seriam alternativos ao BNDES.

Fonte: www1.folha.uol.com.br | 14.09.11
 


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