Publicado por Redação em Notícias Gerais - 26/09/2014

Governo veta Supersimples para 'pessoa jurídica assalariada'

Em uma tentativa de conter a sonegação de impostos na contratação de mão de obra, o governo proibiu expressamente que pessoas jurídicas inscritas no Supersimples tenham vínculo de emprego com a empresa contratante. O veto está na regulamentação da lei que universalizou o Supersimples para todos os setores da economia, publicada no início do mês.

Em 2012 e 2013, a Receita identificou que empresas sonegaram, por meio dessa manobra, quase R$ 30 bilhões em contribuições à Previdência Social. A arrecadação total da Previdência somou R$ 313,7 bilhões em 2013.

Para quem contrata essas pessoas jurídicas, a vantagem é que os custos são muito inferiores aos embutidos na contratação de um funcionário. Essas contratações configuram uma relação comercial, sem custos trabalhistas para quem contrata.

O texto diz que será excluído do regime simplificado de tributação a empresa que guardar com o contratante do serviço relação de "pessoalidade, subordinação e habitualidade". A contratante está sujeita a multa e pagamento da contribuição previdenciária em atraso.

Apesar de considerada irregular e fiscalizada pelo governo, essa prática não era expressamente proibida. Com o uso crescente de pessoas jurídicas como disfarce para situação de emprego, o governo considerou oportuno explicitar a proibição.

"Membro de uma empresa do Simples não pode ser empregado de quem a contrata. Queremos evitar o fenômeno da 'pejotização' dos empregados", afirmou o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos.


IRREGULARIDADES

A Receita afirma que tem detectado irregularidades dessa natureza em vários setores da economia, como indústria de calçados e de materiais cerâmicos.

Em 2012, o fisco identificou irregularidades desse tipo em 5.500 fiscalizações, o que resultou na cobrança de R$ 13,6 bilhões em pagamentos em atraso para a Previdência e multas. Em 2013, foram 5.800 casos, com a cobrança de R$ 15,7 bilhões de contribuição previdenciária.

Segundo a Receita, a maioria das empresas flagradas recorre do processo ou tenta impugná-lo. "Enquanto o julgamento está pendente, suspenso, elas podem obter certidão positiva de débito", informou o órgão.

Pelo Supersimples, pequenas e médias empresas têm a cobrança de oito impostos federais, estaduais e municipais reunida num só boleto. Para a maioria dos casos, a carga de impostos é menor do que no regime tributário convencional.

Dentre as empresas que podem declarar pelo Simples, está o MEI (Micro Empreendedor Individual), que abarca empresários individuais com faturamento anual de até R$ 60 mil. Segundo a Receita, os MEIs são os maiores responsáveis pelas contratações irregulares.

Fonte: Folha de São Paulo


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Dividendos de empresas brasileiras reduzem 12,3% em 2012

Dividendos de empresas brasileiras reduzem 12,3% em 2012

Notícias Gerais, por Redação

Justiça dá auxílio-acidente a segurado do INSS com doença comum

O INSS está pagando auxílio-acidente a um segurado que teve uma doença comum, não relacionada a sua atividade profissional.

Notícias Gerais, por Redação

Arrecadação federal soma R$ 92,628 bi em abril

A arrecadação do governo federal em impostos e contribuições desacelerou em abril, somando R$ 92,628 bilhões, uma alta de 3,49% sobre igual mês do ano passado, informou a Receita Federal nesta terça-feira

Notícias Gerais, por Redação

Bovespa avança 15,95% e lidera rentabilidade em 2012

No segundo mês do ano, a bolsa brasileira perdeu um pouco a força, porém manteve o bom desempenho apresentado em janeiro, registrando valorização de 4,34%, aos 65.811 pontos.

Deixe seu Comentário:

=