Publicado por Redação em Notícias Gerais - 09/02/2015

Idosos representam a faixa etária que mais contraiu dívidas

Os hábitos de consumo atingiram a sociedade de tal forma que todas faixas etárias são facilmente seduzidas pela oferta de crédito, sobretudo os idosos. Por isso, aquele velhinho que ficava em casa vendo televisão e guardava suas economias em um cofrinho no fundo do ármario não está mais em cena. Hoje, paralelo ao aumento da qualidade de vida, estão as alternativas de conforto e bem-estar que atraem os idosos e os tornam as principais iscas dos empréstimos consignados. O grande agravante desse quadro é que enquanto os idosos rendem-se às tentações, crescem as taxas de inadimplência entre pessoas acima dos 65 anos.
 
De acordo com um estudo divulgado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), nos últimos 12 meses, a terceira idade foi a faixa etária que mais se endividou. Ao todo, a média nacional de crescimento de pessoas inadimplentes nas bases da instituição foi de 3,8%, e em relação à população com idades entre 64 e 94 anos, o aumento foi muito acima da média chegando a 7,5%. Ainda segundo a pesquisa, o número total de idosos endividados no Brasil já atinge 4 milhões, o que representa aproximadamente 25% da população acima de 65 anos. O levantamento também assegura que desse total, dois em cada dez idosos, tiveram o nome negativado, porque emprestaram seu CPF para financiar compras ou empréstimos de amigos e parentes.

O empréstimo consignado tornou-se um dos principais mecanismos responsáveis pelo endividamento dos idosos, dado que o fácil acesso ao crédito e a maior vulnerabilidade dessa classe fazem com que o saldo bancário seja, automaticamente, consumido pelas parcelas do empréstimo. Ao comprovar a renda, o pedido de crédito, na maioria das vezes, é liberado para os aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que são seduzidos pelas alternativas de pagamento e avaliam apenas o valor da parcela mensal, em vez de analisarem as taxas de juros que podem atingir porcentagens exorbitantes, caso a parcela não seja paga regularmente.

Quando não há um planejamento adequado, o que parece benefício torna-se prejuízo a longo prazo. O desejo de fazer uma obra em casa levou a aposentada Josefa Motta, 69 anos, a se endividar no início do ano passado e a passar meses sem dormir em paz. Segundo ela, para realizar a reforma, não havia outro jeito a não ser pegar um pequeno empréstimo. Após ver o dinheiro aplicado em sua conta, ela deu início a obra e comprou todo o material que precisava. Entretanto, o pesadelo veio tempos depois, quando o valor das parcelas fugiram do seu controle e ela precisou optar pelo pagamento mínimo da fatura.

?A dívida cresceu muito, porque a partir do momento que eu decidi pagar metade do valor, os juros cresciam e a parcela que era para ser de R$ 400 chegou a R$ 1 mil. Fiquei atordoada com a situação, porque sempre fui muito organizada. Não imaginei que a parcela atingiria um valor tão alto. A situação só começou a melhorar quando fui até a financeira e solicitei um acordo conforme as minhas possibilidades de pagamento. Hoje, não cometo esse erro de novo?, afirma a aposentada.

Apesar dos problemas gerados pelo empréstimo consignado, alguns especialistas em finanças não avaliam a oferta de crédito como um aspecto negativo para os aposentados. Eles esclarecem que, geralmente, o empréstimo serve apenas como porta de entrada para o endividamento, uma vez que a pessoa não consegue pagar as despesas com o dinheiro que sobra após efetuar o pagamento das parcelas, recorre ao cheque especial e ao cartão de crédito, o que aumenta ainda mais seu débito no mercado.

Segundo o economista Max Monteiro, independente da faixa etária, qualquer consumidor que recorre ao empréstimo deve avaliar para onde será direcionado o dinheiro e de que forma o pagamento será realizado. Ele explica, que o mais importante é ajustar as despesas pessoais para que não seja preciso optar a outras linhas de crédito, para estender o saldo bancário até o fim do mês. No caso daqueles que já sofrem com as dívidas, o caminho é negociar o pagamento com o credor, antes que o débito alcance grandes proporções.

?O primeiro passo para quitar uma dívida é dimensioná-la adequadamente e sinalizar para o credor que você está disposto a quitá-la, sempre dentro das suas possibilidades. A partir daí, o planejamento pode ser estabelecido de forma crível para o credor, e suportável para o devedor. A matéria prima do planejamento financeiro é sempre o diálogo e a informação?, conclui o economista.

O Fluminense - Niterói/RJ


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