Publicado por Redação em Notícias Gerais - 04/08/2014

Negociação entre estatais gera alívio fiscal para o Tesouro

A negociação da dívida entre a Eletrobras e a Petrobras implicará alívio fiscal indireto para o Tesouro Nacional, que não tem repassado recursos suficientes ao setor elétrico para o pagamento de todas as despesas.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, se comprometeu a liberar R$ 13 bilhões este ano para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), o fundo setorial que faz o ressarcimento às distribuidoras do custo do combustível usado pelas térmicas da região Norte. O balanço do fundo mostra, no entanto, que menos de metade dos recursos foi repassado. Até junho o Tesouro Nacional havia repassado 4,1 bilhões ao fundo

Segundo fontes do setor privado e do próprio governo, a demora no repasse tem obrigado a Eletrobras, gestora das contas do setor elétrico, a atrasar pagamentos. As maiores dívidas estão se acumulando na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), de onde deve sair o ressarcimento às distribuidoras da região Norte.

Quando a Eletrobras fechar o repasse dos R$ 452 milhões a suas subsidiárias e as empresas pagarem a Petrobras, será o mesmo que dizer que o Tesouro deixou de desembolsar esse valor. Efeito semelhante acontecerá quando a dívida total de R$ 6,1 bilhões for equacionada.

O Tesouro não quis comentar o impacto fiscal do empréstimo à Eletrobras. De acordo com informações da assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, o assunto deve ser tratado com o Ministério de Minas e Energia e a própria estatal.

Não há exigência legal que obrigue o Tesouro Nacional a cobrir integralmente todas essas despesas. Mas o acordo informal feito durante a discussão do novo modelo do setor elétrico é que caberia ao Tesouro equacionar essa conta. Tanto que a legislação autorizou o governo a antecipar recebíveis de Itaipu para transferir à CDE.

Uma primeira operação foi feita em 2013, mas críticas de que o governo federal estava antecipando receitas futuras para cobrir gastos correntes levou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a suspender novas vendas de recebíveis.

Não é a primeira vez que o Tesouro usa os bancos para evitar gastos primários. No ano passado, o ministro Mantega suspendeu um empréstimo da Caixa Econômica Federal a subsidiárias da Eletrobras, que iriam usar os recursos para quitar dívidas com a CDE, evitando baixas no caixa do governo federal, depois que a operação foi divulgada pelo Valor.

Este ano, a principal ferramenta de ajuste do Tesouro Nacional tem sido o adiamento no pagamento de despesas. Um exemplo são os precatórios do INSS e dos servidores públicos, que somam R$ 5,8 bilhões. Normalmente são quitados no primeiro semestre, mas foram transferidos para novembro.

Mesmo assim, o desempenho fiscal do governo até junho não garante o cumprimento da meta de superávit primário fixada para este ano. Dos R$ 80,9 bilhões prometidos, havia no caixa apenas R$ 15,4 bilhões. O governo conta com R$ 27 bilhões em receitas extraordinárias para tentar fechar as contas.

Fonte: Valor Online - São Paulo/SP - BRASIL - 04/08/2014


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Por que economia não vai deixar relaxar nas férias de julho

Para o Banco Espírito Santo, com as perspectivas de crescimento ainda patinando, parece complicado haver uma perspectiva de melhora no curto prazo

Notícias Gerais, por Redação

Ibovespa pega impulso em plano anticrise do BCE e abre em alta

O plano anticrise do BCE (Banco Central Europeu) e números positivos sobre o mercado de trabalho norte-americano aninam os investidores ao redor do globo nesta quinta-feira (6). Por aqui, a bolsa brasileira pega carona no bom humor internacional e abre o pregão em alta.

Notícias Gerais, por Redação

IPC-S acelera para 0,47% na 2ª quadrissemana de março, diz FGV

O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) acelerou a alta para 0,47% na segunda quadrissemana de março, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas) nesta sexta-feira (16).

Notícias Gerais, por Redação

Executivos estão otimistas em relação a investimentos em 2012

Os executivos de companhias brasileiras e multinacionais estão otimistas em relação aos investimentos em 2012, aponta estudo divulgado nesta quarta-feira pela empresa de recrutamento Michael Page.

Notícias Gerais, por Redação

Copom eleva projeção de reajuste no preço da gasolina para este ano

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, em sua ata da última reunião, divulgada nesta quinta-feira (27), elevou a projeção de reajuste nos preços da gasolina. Na reunião da última semana, foi estimado um aumento de 6,7% no combustível, considerando a variação acumulada até setembro, ante um acréscimo de 4% estimado na reunião de agosto.

Notícias Gerais, por Redação

Banco americano prevê dólar mais caro em 2012

O banco americano de investimentos Merryll Lynch prevê que a taxa média de câmbio brasileira vai subir para R$ 1,80, ou até mesmo R$ 2, no que vem. Neste ano, até agosto, a taxa média é de aproximadamente R$ 1,65.

Notícias Gerais, por Redação

BC inicia em outubro censo sobre investimentos estrangeiros no Brasil

O Banco Central fará pesquisa sobre investimentos estrangeiros no Brasil. A quarta edição do Censo de Capitais Estrangeiros no País terá início no dia 3 de outubro de 2011, às 9h, e vai até as 20h do dia 1º de novembro de 2011. O trabalho vem sendo realizado a cada cinco anos, desde o ano-base 1995.

Deixe seu Comentário:

=