Publicado por Suporte AW em Saúde Empresarial - 17/02/2011

Veto a inibidor de apetite favorece cirurgia bariátrica

Proibir drogas emagrecedoras, como quer a Anvisa, levará ao aumento no número de cirurgias de redução do estômago, dizem médicos.

Com a possível retirada desses remédios do mercado, sobram poucas alternativas para tratar a obesidade.

Em muitos casos, a única saída será a cirurgia bariátrica, hoje indicada para pacientes com IMC (índice de massa corporal) acima de 35 e doenças associadas, como diabetes e hipertensão.

Já está em estudo nos EUA, na Itália e Espanha a redução do limite mínimo de IMC para a indicação da operação.

O cirurgião Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, está coordenando uma pesquisa no Hospital Oswaldo Cruz sobre a eficácia da operação em pessoas com IMC entre 30 e 35. O estudo tem financiamento do Ministério da Saúde.

Foram recrutados 105 voluntários, que serão operados dentro de semanas. Para Cohen, o procedimento é mais seguro do que as drogas. "Nunca se falou em retirar a cirurgia do mercado. Isso prova sua segurança", diz.

A previsão é que neste ano sejam feitas 70 mil reduções de estômago no país.

Para Alfredo Halpern, endocrinologista do Hospital das Clínicas, o aumento das cirurgias preocupa: "Não é mais simples tomar remédio? Faço um paciente perder 30 kg só com medicação".

Estudos mostram que 16% das pessoas que passam por redução do estômago têm alguma alteração neurológica, como perda de memória ou confusão mental, diz Eduardo Mutarelli, neurologista do Hospital Sírio-Libanês.

ONDA DE PROIBIÇÃO

A Anvisa estuda proibir a sibutramina, droga que age no sistema nervoso central, desde o início de 2010.

Ontem, anunciou uma audiência pública para quarta, em que será apresentado um parecer pedindo a proibição dos medicamentos com sibutramina e três tipos de anfetamina: anfepramona, femproporex e mazindol.

A decisão deve ser divulgada no dia 1º de março.

A Anvisa diz que a sibutramina tem baixa eficácia e eleva em 20% o risco cardíaco. O parecer foi embasado no estudo Scout, feito em 16 países, que saiu no "New England Journal of Medicine".

Na pesquisa, 10 mil obesos com mais de 55 anos e histórico de doenças cardíacas tomaram sibutramina por três anos e quatro meses.

Segundo Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e um dos autores do estudo, os resultados não justificam proibir a droga.

O cardiologista Daniel Magnoni, do HCor, diz que o problema é a vulgarização da droga. "Com uso correto, as complicações são menores."

A única droga para obesidade fora da mira da Anvisa é o Xenical (orlistate), que não é um inibidor de apetite: diminui a absorção de gordura.

"Só isso não resolve. Uma pessoa com compulsão não vai ser cura

Fonte: www1.folha.uol.com.br | 17.02.11


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