Publicado por Redação em Previdência Corporate - 13/03/2015

PIB maior pode custar R$ 2,8 bilhões à Previdência

A revisão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 e 2011, anunciada na terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), poderá aumentar em R$ 2,8 bilhões as despesas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas). A estimativa para 12 meses é do especialista em previdência e economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Abi-Ramia Caetano. O aumento nesses gastos pode acontecer caso o governo se veja pressionado a aumentar o salário mínimo dos atuais R$ 788 para R$ 798.

Esse seria o novo valor se o governo federal decidisse cumprir à risca a fórmula de reajuste do mínimo e considerasse os novos dados do PIB, segundo Caetano. A fórmula para o mínimo prevê o reajuste pela variação real do Produto Interno Bruto de dois anos antes e pela inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior.

Já o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que o mínimo deveria estar em R$ 794.

Independentemente disso, ambos concordam que o salário deveria ser maior, uma vez que a lei prevê o PIB como fator de reajuste e, assim, também estariam maiores os gastos federais.

Novo cálculo

O IBGE revisou o resultado do Produto Interno Bruto brasileiro em 2011, que saiu de 2,7% para 3,9%. O crescimento da economia de 2010 foi revisto de 7,5% para 7,6%. A diferença é resultado da mudança no cálculo das Contas Nacionais, que passaram a incorporar recomendações internacionais.

Como o salário mínimo de 2013 foi reajustado com base no porcentual menor do PIB de 2011, antes da revisão, o mínimo foi de R$ 678 por mês, mas deveria ter sido de R$ 683,89, segundo o Dieese. Dessa forma, os reajustes subsequentes (de 1% em 2014 e de 2,5% neste ano) deveriam ter incidido sobre o valor atualizado. Seguindo essa regra, o Dieese calculou em R$ 793,92 por mês o salário mínimo de 2015. O valor será ainda maior quando o IBGE anunciar a revisão dos PIBs de 2012 e 2013, o que está previsto para ocorrer em novembro.

Como informou nesta quinta-feira, 12, o jornal "O Estado de S. Paulo", as centrais sindicais devem somar as diferenças e pressionar o governo Dilma Rousseff a compensar no reajuste do salário mínimo de 2016. Preocupado com a delicada situação fiscal, o governo quer se afastar de qualquer discussão que envolva aumento de gastos públicos.

No atual contexto de contenção de gastos e ajuste fiscal, Caetano, do Ipea, considera improvável que o governo envie um projeto para fixar um novo mínimo. “A revisão do PIB gera pressão ruim para o ajuste fiscal, mas com legitimidade e lógica diante da regra de reajuste do mínimo”, diz Caetano.

Na quarta-feira, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que “se a regra do salário mínimo, fechada por Lula e por Dilma, coloca o PIB como fator de reajuste real dos salários e, agora, o PIB foi maior do que sabíamos antes, então é natural que isso chegue para os trabalhadores”. O discurso da Força, a segunda maior central sindical do País, foi engrossado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), a terceira maior, e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do País. Juntas, CUT, Força e UGT representam 5,5 mil sindicatos.

Fonte: Yahoo (Estadão)


Posts relacionados

Previdência Corporate, por Redação

STJ aprova desaposentadoria sem devolução de valores

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou na tarde desta quarta-feira que o aposentado tem o direito de renunciar ao benefício para requerer nova aposentadoria em condição mais vantajosa

Previdência Corporate, por Redação

Receita libera programa para fazer declaração do IR 2013

A Secretaria da Receita Federal liberou, nesta segunda-feira (25), o programa do Imposto de Renda 2013, necessário para realizar a declaração pelos contribuintes.

Previdência Corporate, por Redação

Previdência Social no Brasil poderá ter regras modificadas em breve

Após treze anos em vigor , o fator previdenciário pode chegar ao fim. Deputados e governo buscam um acordo que permita votar, após as eleições municipais, o projeto de lei 3299/08, que acaba com o mecanismo usado na concessão de aposentadoria por tempo de contribuição.

Previdência Corporate, por Redação

Fundo de previdência complementar é penhorável a partir de 40 salários

A 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (Brasília) acolheu parcialmente uma apelação proposta pela Fazenda Nacional contra decisão de primeira instância, mas decidiu que só pode ser bloqueada, em fundo de previdência complement

Previdência Corporate, por Redação

Reforma da Previdência deve garantir direitos dos trabalhadores ativos, diz OAB

A reforma da Previdência Social deve garantir os direitos dos trabalhadores que estão atuando no mercado de trabalho. É o que afirmou o representante da Comissão de Seguridade da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Theodoro Vicente Agostinho.

Deixe seu Comentário:

=