Publicado por Redação em Previdência Corporate - 09/09/2016

Longevidade: operação inovadora de transferência de risco

Casal de Idosos

Contrato realizado no Reino Unido pode inspirar acordos entre previdência privada e fundos de pensão brasileiros

A celebração de um contrato, no Reino Unido, no qual a Pirelli, assessorada pela Mercer, realizou a transferência de riscos de longevidade para a seguradora Zurich, envolvendo passivos de planos de Benefício Definido da ordem de £600 milhões (aproximadamente R$2,5 bilhões) pode inspirar as futuras operações entre entidades de previdência privada aberta e fundos de pensão brasileiros. A transferência ocorreu por intermédio de um swap de longevidade e a Zurich reteve 25% do risco e ressegurou os 75% restante perante a Pacific Life Re.

A operação abrangeu um contingente de 5.000 aposentados e seus respectivos pensionistas. O valor pago pela Pirelli para a Zurich não foi divulgado, mas o Pension Manager da Pirelli ficou satisfeito com a negociação, conforme informações do site moderninvestor.com.

A precificação de um swap de longevidade leva em consideração, primordialmente, três aspectos: a longevidade atual da massa envolvida, mensurada em um cenário de stress; as tendências futuras de aumento de longevidade; as margens (de risco e de lucro, especialmente) da seguradora/resseguradora. Quanto mais jovem é a massa de participantes, maior será o risco e, consequentemente, maior será a margem a ser embutida no cálculo.

Não foi a primeira vez que uma empresa patrocinadora tomou a decisão de transferir seu risco de longevidade para uma seguradora. Porém, essa operação realizada pela Pirelli tem algumas peculiaridades que a tornam pioneira:

No Reino Unido, foi a primeira vez que um plano de médio porte realizou uma transação dessa natureza, que é relativamente comum em planos maiores. Para viabilizar a operação em termos de custos e para elevar o poder de negociação, a Pirelli realizou essa operação juntando dois de seus planos de previdência.

O objetivo do negócio é de mitigar o risco de longevidade. O meio escolhido, como já mencionado, foi o swap de longevidade. Porém, há outros meios utilizados para se realizar o de-risking de longevidade, tais como o buy-out (transferência dos participantes para que recebam seus benefícios por seguradoras, isolando o fundo de pensão de qualquer risco) e o buy-in (em que o fundo de pensão mantém o relacionamento com o participante, mas compra um seguro contra riscos de demográficos e/ou financeiros).

O swap de longevidade transfere para a seguradora o risco de o participante viver mais do que o estimado pelo fundo de pensão. Assim, o fundo de pensão ainda mantém alguns riscos, tais como o de taxa de juros. No caso da Pirelli, a decisão de se utilizar o swap foi estratégica, para que a patrocinadora tivesse mais flexibilidade na gestão de seus ativos.

No Brasil, a Resolução CNPC nº 17, de 30 de março de 2015, autorizou os fundos de pensão a realizarem operações de transferência de risco para seguradoras. A Resolução é bastante abrangente, porém vedou a realização de buy-outs (o que é proibido pela Lei Complementar nº 109, que permite sua adoção apenas em situações muito excepcionais e mediante autorização prévia da Previc) e também vedou a transferência de riscos relacionados a taxa de juros.

Para especialistas, este é o caminho aberto para avançar em operações de swap e de buy-in, no que tange aos riscos de longevidade. “Se olharmos para o passado, veremos que o assunto deve ser objeto de nossa reflexão. Não obstante o emprego, pelos atuários, das melhores técnicas de mensuração de longevidade, o aumento da expectativa de vida tem superado as expectativas e a dúvida sobre onde isso vai parar paira no ar”, dizem eles. Nas últimas duas décadas, aproximadamente, estima-se que os fundos de pensão já tenham incrementado seus passivos em cerca de 25%.

Fonte: Revista JRS


Posts relacionados

Previdência Corporate, por Redação

Tesouro ou previdência; o que é melhor para a aposentadoria?

Internauta de 22 anos pergunta qual é a melhor aplicação para o longo prazo neste momento

Previdência Corporate, por Redação

Quando pedir portabilidade de plano de previdência

Veja como funciona a portabilidade, quando ela é vantajosa e como escolher para qual plano migrar

Previdência Corporate, por Redação

Previdência privada é atraente para jovens, dizem economistas

Quanto você quer ganhar depois de se aposentar? Essa é uma preocupação que parte da população costuma ter apenas anos antes de chegar a se aposentar. Mas a contribuição com a previdência pública é suficiente para garantir tranquilidade?

Previdência Corporate, por Redação

Aposentados do INSS terão 5,63% de reajuste; teto é de R$ 4.137

O reajuste para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que ganham mais do que o salário mínimo deve ser de 5,63% em 2013 e o teto dos benefícios deve subir para R$ 4.136,68.

Previdência Corporate, por Redação

Número de donas de casa de baixa renda filiadas à Previdência chega a 283 mil

Meta do governo é chegar a 1 milhão de formalizações até 2015.

Previdência Corporate, por Redação

Governo publica novas regras para aposentadoria por invalidez dos servidores

Foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (30), a Emenda Constitucional de número 70, que cria novas regras para a aposentadoria por invalidez dos servidores públicos que recebem o benefício desde 1º de janeiro de 2004.

Previdência Corporate, por Redação

Dilma diz que irá inaugurar 182 novas agências do INSS em 2012

A presidente Dilma Roussef disse na manhã desta segunda-feira (30), durante seu programa de rádio "Café com a presidenta", que irá inaugurar 182 novas agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2012.

Deixe seu Comentário:

=