Publicado por Redação em Notícias Gerais - 14/06/2011

Analistas discordam sobre desaceleração chinesa, mas enxergam aperto monetário

SÃO PAULO - Os indicadores econômicos chineses divulgados na última noite  trouxeram para os analistas a percepção de que a segunda maior economia do mundo precisará continuar com suas medidas de aperto monetário, com perspectiva de mais elevação na taxa básica de juro da China.

Entre os diversos indicadores econômicos divulgados, o destaque fica por conta dos dados sobre a inflação ao consumidor, que ficou em linha com as expectativas ao apontar taxa anual de 5,5% em maio, e sobre a produção industrial, que surpreendeu ao crescer 13,3% na passagem anual, taxa maior que a esperada pelos investidores.

Desaceleração forte ou fraca?
Os sinais de desaquecimento da economia chinesa não geram consenso entre os analistas. Para Wei Yao, analista do Société Générale, os dados econômicos chineses, principalmente a produção industrial, não fornecem suporte para a visão de uma desaceleração mais forte da atividade econômica chinesa.

“A produção da maioria dos principais bens industriais teve ganhos maiores do que em maio passado, o que serve como forte evidência de que os temores acerca de uma queda abrupta [da atividade econômica] foram exagerados”, afirma Wei.

Por outro lado, para os consultores da LCA, os indicadores de produção chineses juntam-se aos números abaixo das expectativas em maio da expansão do crédito e do M2 (medida do suprimento de dinheiro em circulação) e “pintam um quadro de desaceleração mais forte da economia chinesa”.

Na visão dos consultores, “o risco de que a segunda maior economia do planeta tenha o seu crescimento reduzido em ritmo mais forte que o esperado anteriormente adiciona incertezas ainda maiores aos já nervosos mercados de ativos de risco”.

Perspectiva de elevação do juro básico
O analista do Société Générale destaca ainda que, a despeito dos dados indicando uma menor oferta de crédito, o investimento em ativos fixos na China cresceu 25,8% entre janeiro e maio e 26,7% na comparação anual somente em maio. A avaliação é que essa inconsistência sugere que o setor financeiro não bancário está obtendo um papel cada vez maior no fornecimento de capital e financiamento da atividade econômica.

Levando-se em conta os fatores apresentados, Wei acredita em uma elevação do juro básico chinês ainda em junho. Segundo o analista, a atual situação da inflação na China representa um grande desafio para as autoridades, e os dados divulgados constituem “um caso forte o bastante para o Banco Popular da China aumentar as taxas de juros neste mês”.

Já para a equipe de consultores da LCA, a tendência para a inflação na China é de desaceleração a partir do terceiro trimestre deste ano, por conta da desvalorização na cotação das commodities e expectativa de crescimento da safra de trigo, que reduziria a pressão nos preços dos alimentos.

Apesar disso, ainda são necessárias “novas medidas de ajuste, que deverão ser focadas em instrumentos tradicionais de política monetária”. Assim, a conclusão é que “é alta a chance de que o PBoC (Banco Popular da China) venha a subir o juro básico em mais 25 bps [0,25 ponto percentual] ainda neste mês”.

Fonte: web.infomoney.com.br | 14.06.11


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