Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 07/01/2026

De wearables a remédios para perda de peso: 4 tendências de Bem-Estar que devem moldar o trabalho em 2026

Grandes empresas estão sempre buscando formas de melhorar a produtividade. Nos últimos anos, a inteligência artificial capturou grande parte dessa atenção, remodelando o trabalho em diferentes setores. Embora a IA sem dúvida ajude as empresas a elevar a eficiência, ela resolve apenas parte da equação. A qualidade e a capacidade das pessoas que realizam o trabalho importam tanto — ou até mais — à medida que as margens competitivas continuam a se estreitar em 2026.

O foco, a energia, a recuperação, a resiliência e o bem-estar geral de um funcionário deixaram de ser preocupações apenas individuais, restritas ao que acontece fora do ambiente de trabalho. À medida que as fronteiras entre a vida pessoal e profissional se tornam cada vez mais difusas, esses fatores influenciam diretamente a produtividade, a qualidade das decisões e o desempenho no longo prazo.

Líderes que continuam a tratar a produtividade como um problema puramente mecânico correm o risco de ignorar justamente os sistemas humanos dos quais suas organizações mais dependem. O bem-estar deixou de ser um ponto adicional e passou a ser um motor central do desempenho sustentável.

Veja 4 tendências de bem-estar que devem moldar a força de trabalho em 2026

1. O retorno da “vida analógica”

Vivemos em uma era de conectividade digital sem precedentes. Um executivo em São Paulo pode passar o dia em uma reunião atrás da outra com colegas e parceiros ao redor do mundo. Ainda assim, o acesso digital não substitui a interação presencial ou outras experiências analógicas que cultivam confiança, pertencimento e entendimento compartilhado. Apesar de estarem constantemente conectadas, muitas pessoas se sentem cada vez mais isoladas.

Essa mudança foi destacada no relatório 25 Big Ideas for 2026, do LinkedIn News, que identificou o aumento da solidão como uma das questões definidoras que moldarão o trabalho no próximo ano. Pesquisas da Associação Americana de Psicologia reforçam essa preocupação: quase sete em cada dez adultos relatam precisar de mais apoio emocional do que receberam no último ano, e mais da metade afirma se sentir isolada ou excluída à medida que a vida se torna cada vez mais digital.

A conexão influencia diretamente a confiança, a colaboração e a tomada de decisões. Equipes que carecem de interações humanas significativas tendem a compartilhar informações mais lentamente, são menos propensas a identificar problemas com antecedência e estão mais suscetíveis ao desengajamento. Em 2026, organizações que promoverem intencionalmente conexões offline — por meio de espaços físicos, rotinas compartilhadas e expectativas que incentivem interações reais — estarão mais bem posicionadas para sustentar a produtividade e a coesão em toda a empresa.

2. Vidas e carreiras mais longas

Avanços na área da saúde e na medicina preventiva estão ampliando não apenas a expectativa de vida, mas também o tempo de vida saudável. Mais pessoas permanecem capazes, engajadas e produtivas muito além da idade tradicional de aposentadoria. Essa mudança desafia pressupostos antigos sobre carreiras, sucessão e participação no mercado de trabalho — e, em última instância, sobre o que a aposentadoria realmente significa.

Em vez de sinalizar um ponto final, a aposentadoria está se tornando cada vez mais uma transição para um segundo ato. Como destaca o relatório do LinkedIn, a longevidade traz implicações econômicas e organizacionais relevantes. À medida que as pessoas vivem e trabalham por mais tempo, a força de trabalho torna-se mais multigeracional, com estágios de carreira sobrepostos, diferentes perspectivas e horizontes de tempo mais longos. O modelo tradicional de se dedicar ao trabalho, atingir o pico da carreira e sair está dando lugar a trajetórias mais fluidas, que se estendem por várias décadas.

Para os líderes, isso representa uma oportunidade única de repensar o desenho do trabalho. Retenção de conhecimento, requalificação e funções flexíveis serão mais importantes do que cronogramas rígidos ou expectativas baseadas na idade. Organizações que se adaptarem a vidas profissionais mais longas ganharão continuidade e um valioso capital institucional que se espalha entre gerações.

3. Dados corporais

A tomada de decisão orientada por dados já molda finanças, operações e estratégia. Cada vez mais, ela também influencia a forma como as pessoas trabalham. Dispositivos e ferramentas que medem dados corporais, desde os batimentos cardíacos até o sono — antes restritos a atletas de elite — estão se tornando comuns, oferecendo a indivíduos e organizações maior visibilidade sobre níveis de energia, recuperação, estresse e prontidão geral.

Como observa o relatório do LinkedIn, essa mudança traz implicações importantes para a produtividade e o burnout. Uma pesquisa publicada na revista científica American Journal of Preventive Medicine estima que o burnout custa às empresas entre US$ 4 mil e US$ 21 mil por funcionário ao ano, devido à perda de produtividade e à rotatividade.

Quando líderes e profissionais compreendem como a fadiga, sobrecarga e recuperação afetam o desempenho, o trabalho pode ser estruturado de forma mais inteligente. Por exemplo, ao agendar reuniões com mais intenção, ajustar cargas de trabalho e alinhar expectativas aos limites humanos.

Equipes que utilizam esses dados para orientar ritmos de trabalho mais inteligentes estarão melhor posicionadas para sustentar o desempenho, reduzir o burnout e melhorar a qualidade das decisões.

4. Medicamentos para perda de peso

O controle de peso continua sendo um desafio para muitas pessoas e frequentemente está ligado a questões metabólicas e doenças crônicas mais amplas. Inicialmente, isso impulsionou o crescimento dos medicamentos GLP-1. Hoje, uma classe mais ampla de medicamentos prescritos para perda de peso está entrando na conversa sobre o ambiente de trabalho, trazendo novas considerações para os empregadores. Conforme a adoção cresce, as organizações enfrentam uma questão prática: qual papel esses medicamentos devem desempenhar nos benefícios e programas de bem-estar dos funcionários?

Segundo a Kaiser Family Foundation, organização dos Estados Unidos que conduz pesquisas sobre saúde, cerca de um em cada cinco grandes empregadores já cobre esse tipo de medicamento para apoio à perda de peso. Essa cobertura, no entanto, vem acompanhada de trade-offs. Entre os maiores empregadores, 59% relatam que os custos superaram as expectativas, e 66% afirmam que a cobertura teve impacto significativo nos gastos com medicamentos prescritos.

Em 2026, as organizações serão forçadas a ponderar acesso, equidade e produtividade a  longo prazo diante do aumento dos custos com benefícios. A forma como as empresas navegarem esse equilíbrio moldará cada vez mais as estratégias de bem-estar da força de trabalho e a diferenciação como empregadoras.

O que isso significa para a força de trabalho em 2026

Embora a tecnologia continue a moldar a forma como o trabalho é realizado, a força de trabalho em 2026 será cada vez mais influenciada por fatores que os líderes antes tratavam como secundários. O desafio não é correr atrás de toda nova iniciativa de bem-estar, mas reconhecer como essas mudanças se cruzam com produtividade, qualidade das decisões e sustentabilidade no longo prazo.

Organizações que se adaptarem de maneira consciente à forma como apoiam e projetam o trabalho para seus funcionários estarão mais bem posicionadas para manter o ritmo em um cenário competitivo.

Fonte: Forbes Brasil


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