Publicado por Redação em Previdência Corporate - 03/11/2015

Planos de previdência privada batem recorde

A mudança de regras na Previdência Social fez o tema aposentadoria ressurgir com força nos investimentos. Preocupados com o futuro incerto dos benefícios do INSS, mais brasileiros passaram a aplicar em planos de previdência privada.

A captação de janeiro a setembro bateu recorde, foram R$ 26,1 bilhões , crescimento de 45,8% ante o mesmo período do ano passado (R$17,9 bilhões). Enquanto a indústria de fundos amarga uma saída líquida (aplicações menos resgates) de R$ 30,2 bilhões no acumulado em 12 meses, a previdência privada tem captação de R$ 39,4 bilhões.

Nem mesmo a renda fixa, queridinha dos investidores em momentos de juro alto, tem tido um bom desempenho. Em 12 meses, até 27 de outubro, os saques superaram as aplicações em R$ 25,4 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Parte da explicação para o protagonismo da previdência está na crise fiscal e econômica. Para diminuir o rombo nas contas públicas, o governo alterou a regra da aposentadoria, que agora irá se basear na fórmula conhecida como regra 85/95. A solução é apenas paliativa e espera-se que o governo proponha a idade mínima em 60 e 65 anos, respectivamente, para mulheres e homens.

"Em momentos de crise, onde se comenta muito as dificuldades do Estado de manter os benefícios da previdência, aumenta a consciência do público de que pra ter uma aposentadoria digna, já que ele tem perspectiva de viver mais anos, será preciso ter mais condição financeira", diz o vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Lúcio Flávio de Oliveira. Momentos como o que o Brasil passa ajudam o investidor a perceber que ele é o responsável por fazer uma poupança previdenciária, segundo Oliveira.

A crise econômica também influenciou a tomada de decisão. "A inflação em alta corrói o poder de compra dos consumidores, o que deixa as pessoas preocupadas com o futuro. Elas entendem que é necessário ter uma aposentadoria complementar", afirma a diretora da Anbima, Luciane Ribeiro.

Longo prazo. A própria natureza da previdência, um produto essencialmente voltado para o longo prazo, explica o motivo para o baixo número de saques. "O projeto que está vinculado à previdência é de longo prazo. Isso torna o produto menos suscetível a variações do mercado", diz o superintendente comercial da Brasilprev, Guilherme Rossi.

A diretora de previdência e vida resgatável da Mapfre, Maristela Gorayb, afirma que o "timing" da previdência é diferente. "Se o investidor precisa sacar, opta por tirar de outros produtos primeiro, como os fundos de renda fixa voltados para curto e médio prazos", diz.

No curto prazo, inclusive, especialistas não consideram os planos de previdência a melhor opção. "Se você tem um objetivo de investir por menos de dez anos tem que fazer muita conta para ver se vale a pena", diz Maristela. Benefícios como a alíquota regressiva de Imposto de Renda, que chega a 10% depois de dez anos de aplicação, só são colhidos no longo prazo.

Em relação à carteira de investimento, o brasileiro é conservador na previdência. "O investidor buscou menos risco, aplicou na previdência com renda fixa, reflexo do cenário de incerteza", diz a diretora da Mapfre. Historicamente, este tipo de plano lidera o mercado. Com R$ 450 bilhões de patrimônio, a renda fixa representa 96,5% da previdência. O juro alto tem garantido um bom retorno. A previdência renda fixa acumula rentabilidade de 12,43% em 12 meses, até 27 de outubro, desempenho maior do que a inflação de outubro medida pelo IPCA-15 (9,77%).

Na Brasilprev, um dos destaques foram os planos voltados a menores de idade. Rossi afirma que tais planos têm participação significativa na captação por causa da periodicidade. Pais ou outros responsáveis investem todos os meses.

Desde o ano passado, cresceu 8% o valor do tíquete médio investido nos planos para menores. Em julho de 2014, era de R$ 131 contra R$ 141 do balanço de julho de 2015, o último divulgado pela Brasilprev. "No acumulado dos últimos cinco anos, a alta foi de 40,3%", afirma a gerente da área de Inteligência e Gestão de Clientes da Brasilprev, Soraia Fidalgo.

Fonte: Diário de Pernambuco


Posts relacionados

Previdência Corporate, por Redação

Mais de 4 milhões de contribuintes já declararam o IR

Decorrido quase metade do prazo de entrega da Declaração do Imposto  de Renda da Pessoa Física, a Receita Federal do Brasil recebeu, até às 9h desta segunda-feira (25), 4,33 milhões de declarações em todo o Brasil, o que representa 16,6% do total esperado (26 milhões).

Previdência Corporate, por Redação

Receita libera R$ 130 mi da malha fina do IR de 2008 a 2012

A Receita Federal libera nesta sexta-feira consulta a um lote residual de restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física. O pagamento abrangerá declarações feitas entre 2008 e 2012 e cerca de 56 mil contribuintes que estavam na malha fina serão ressarcidos pelo Fisco.

Previdência Corporate, por Redação

Receitas crescem 17,6% em 2012 para R$ 16,5 bilhões

Setor só é superado, na preferência do consumidor, pela caderneta de poupança

Previdência Corporate, por Redação

Bahia: no dia das crianças, inss investe em futuros cidadãos

De Salvador (BA) A sexta-feira 12 de outubro é feriado nacional no Brasil. O País de maioria católica comemora o dia dedicado à padroeira, Nossa Senhora Aparecida.

Previdência Corporate, por Redação

Mudanças em previdência complementar só afetam os que se filiaram após a nova regra

A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que uma beneficiária da Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros) não está sujeita ao limite mínimo de 55 anos de idade para receber aposentadoria complementar.

Previdência Corporate, por Redação

Congresso deve aprovar Regime de Previdência dos servidores

O Congresso retoma os trabalhos nesta quinta-feira com a promessa de aprovar o Regime de Previdência Complementar para os Servidores Públicos da União.

Previdência Corporate, por Redação

Contribuição da previdência fica em R$ 31,10

Com o aumento do salário mínimo, a contribuição para a Previdência Social do empreendedor individual (EI) ficará em R$ 31,10. A contribuição paga pelo EI corresponde a 5% do salário mínimo, que desde o dia 1º está fixado em R$ 622.

Previdência Corporate, por Redação

Segurada do INSS poderá ter licença-maternidade ampliada para 180 dias

O salário-maternidade poderá ser pago à segurada da Previdência Social durante 180 dias (6 meses). A previsão está no Projeto de Lei 2299/11, do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), em análise na Câmara.

Deixe seu Comentário:

=