Publicado por Redação em Notícias Gerais - 08/12/2015

Em proveito próprio, Cunha manobra para adiar comissão de impeachment

Para atrapalhar o andamento das investigações contra ele, o presidente da Câmara manobra o calendário de um tema que paralisa o Brasil

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha

Ainda controlador da caneta na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha deu mais uma demonstração de pretender transformar o processo de impeachment em uma longa agonia para a presidenta Dilma Rousseff e em uma “rota de fuga” no seu caso.

Depois de alongar o prazo para a indicação dos 65 integrantes da comissão especial que irá avaliar o pedido de impeachment assinado pelos advogados Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., Cunha adiou para terça-feira 8 a sua instalação.

Por coincidência, a primeira sessão será no mesmo horário do início da reunião da Comissão de Ética que está prestes a acatar a abertura de um processo por quebra de decoro contra o peemedebista.

Para atrapalhar o andamento das investigações contra ele, o presidente da Câmara manobra o calendário de um tema sensível, que paralisa o Brasil neste momento.

O adiamento também dá fôlego à oposição e a parte do PMDB que, descontentes com algumas indicações dos partidos de base, não fizeram suas indicações e sugerem uma chapa alternativa, contrária a Dilma.

Diante da notícia, os líderes do governo, José Guimarães (PT-CE); do PMDB, Leonardo Picciani (RJ); e do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), criticaram a decisão de Cunha que, segundo eles, se juntou com a oposição e quebrou acordo de que a lista de integrantes seria montada por consenso.

José Guimarães disse que os partidos da base vão discutir possíveis medidas jurídicas e políticas para serem tomadas. “Eles querem compor maioria sem ter maioria. Não aceitamos esse tipo de manobra”, afirmou.

Já para Jandira Feghali, essa decisão quebra o acordo sobre as indicações e vai inviabilizar a votação da representação contra o presidente da Câmara no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

Leonardo Picciani também criticou o adiamento. “Nós começamos de forma ruim. O acordo era a definição de uma chapa única, mas parte da oposição voltou atrás. O ideal é que haja previsibilidade. O PMDB vai manter os nomes”, declarou.

Segundo Picciani, a possível lista paralela de integrantes a ser anunciada pela oposição pode inviabilizar a instalação da comissão especial sobre o impeachment. “Essa manobra tem consequências mais graves. Pode fazer com que a comissão não se instale. Pode ser que uma chapa seja eleita e, depois, indefinidamente, recuse as indicações da outra chapa.”

E há quem considere legítimo todo esse processo. Em outros tempos, a esse tipo de ação se daria o nome de golpe.

Fonte: Revista Carta Capital


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Contra concorrência, Bovespa corta taxas de negociação

A BM&FBovespa deu um importante passo nesta terça-feira para proteger seu mercado, cortando taxas de negociação no mercado de ações a vista e prometendo rever preços de custódia para pessoa física, num momento em concorrentes estrangeiros se preparam para entrar no setor de bolsa de valores.

Notícias Gerais, por Redação

Taxa média de juros atinge menor nível desde 2000, diz BC

As taxas de juros das operações de crédito continuaram a cair em agosto, com inadimplência estável, de acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados nesta quarta-feira.

Notícias Gerais, por Redação

Dólar recua para R$ 1,76; Bovespa ganha 0,38%

Os mercados moderaram um pouco do pessimismo predominante nesta semana, por conta dos desdobramentos da crise das dívidas soberanas na Itália.

Notícias Gerais, por Redação

Itália em crise tem dívida pública mais barata que a do Brasil

Apesar da crise europeia, os títulos da dívida da Itália ainda são em tese mais seguros e são negociados com juros mais baixos que os do Brasil.

Deixe seu Comentário:

=