Publicado por Redação em Notícias Gerais - 13/08/2013

Moda, uma oportunidade para empreender

A definição de moda como identidade cultural, artística e comportamental de um país é ampla. No Brasil, ainda mais. Pelo tamanho e importância, o setor é uma potente locomotiva da economia nacional que estima faturar algo em torno de R$ 135,7 bilhões em 2012. São aproximadamente 30 mil empresas formais, boa parte delas de pequeno porte, apenas na cadeia têxtil e de confecção.

Apesar dos números, o mercado da moda no Brasil encara um desafio proporcional ao seu tamanho. Por meio do amadurecimento da gestão, tenta aparar arestas que ficaram abertas por falta de investimentos em inovação e em uma cultura voltada para atender o mercado externo.

A busca por avanços de toda a cadeia produtiva do setor de moda beneficia diretamente as pequenas empresas. Se estiverem estruturadas para atender uma demanda maior, há oportunidades na indústria têxtil, com o desenvolvimento de tecidos mais sofisticados e modernos; na confecção para grandes players do varejo, que podem internacionalizar suas marcas, e até no fornecimento de artesanato para compor coleções de grandes grifes.

Pensando nisso, a meta estipulada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) é promover o quanto antes uma integração maior da cadeia produtiva e, dessa maneira, competir de igual para igual com o mercado estrangeiro, principalmente o asiático.

“Os impactos de eventos econômicos de escala mundial afetam o setor, que precisa entender as novas demandas e exigências de mercado como oportunidades a serem exploradas, principalmente no design de moda praia, fitness e lingerie”, analisa Rafael Cerrone Netto, diretor-executivo da ABIT.

Além da integração proposta pela indústria, há mais ações para beneficiar os empreendedores. “Estamos fazendo uma parceria com o Sebrae, dentro da São Paulo Fashion Week (SPFW), com uma incubadora. A ideia é disseminar conhecimentos de gestão e tentar mostrar aos jovens estilistas e empresários da cadeia o quanto um não funciona sem o outro”, explica Graça Cabral, do Grupo Luminosidade, responsável pela organização da semana de moda.

Ronaldo Fraga, dono da marca que leva o seu nome, endossa essas previsões. “O setor não se fortalece tropeçando. A moda não tem características únicas. Não é só glamour e também não pode ser vista só como negócio. O desafio é trabalhar usando nossos recursos, no nosso contexto, mas com um olhar global, pensando que no Japão, França, Inglaterra e em tantos outros países há marcas fazendo isso e aumentando a concorrência.”

Em Belo Horizonte, onde fica a loja e a fábrica para a produção das coleções, Ronaldo busca alternativas para unir inspiração e administração. “Não é difícil provocar o desejo no consumidor, difícil é transportar material do Pará para compor a coleção que você está fazendo. A logística e os custos do Brasil não ajudam”, afirma. O estilista, assim, menciona um exemplo prático sobre como pequenos empresários do setor acabam prejudicados. “Brinco que nós temos fartura da falta. Falta tudo!”

Embora existam dificuldades, Fraga está otimista. “O Brasil é capaz de chegar a produção em série. Nós temos a mola da criatividade, que dará esse impulso.”

Alguns aspectos, como inovação e sustentabilidade, são essenciais para a moda brasileira voltar a seduzir o mundo. E foi justamente com o foco ajustado para essas exigências mundiais atuais que nasceu, ainda em 1988, O Casulo Feliz. A empresa investiu na produção manual de seda a partir da reciclagem de casulos descartados pela indústria. Uma inovação e tanto!

Além disso, o negócio instalou-se em uma região carente da cidade de Maringá, no Paraná. Lá, foi possível inserir a comunidade pobre e desempregada no mercado de trabalho. “O consumidor de hoje questiona o impacto ambiental e social da roupa que ele usa e não se atentar para isso é ignorar o mercado”, afirma Glicínia Setenareski, responsável pelo design da marca.

Mas em quase 25 anos de atuação, O Casulo Feliz esbarrou em dificuldades. Começou como pequena empresa, cresceu, mas sofreu os impactos das crises econômicas dos últimos anos. Por isso, o negócio precisou adotar nova estratégia: apostou na diversificação das linhas de produtos e criou padrão para exportar.

Está dando certo. Hoje, o material produzido virou linha de decoração e já esteve presente em coleções de renomados estilistas como Alexandre Herchcovitch e a inglesa Viviane Westwood. “Nossa seda tem tanta qualidade quanto a fabricada na Ásia, mas é um processo recente dar uma identidade nacional para ela”, conclui Glicínia.

Andar fora da curva na qual boa parte do mercado está também é importante no comércio, e um bom exemplo é a grife masculina Reserva. A criação da marca foi motivada por um detalhe, conta Rony Meisler, um dos sócios. “Na academia que eu frequentava via as pessoas sempre com bermudas iguais e da mesma marca. Foi quando percebi que ou elas eram malucas ou não havia peças diferentes.”

Sem experiência no segmento, Rony e os amigos investiram em um conceito descontraído, com ambientação jovem para as roupas. Atualmente, a marca já conta com 24 lojas próprias. “Roupa para mim não é arte e sim um produto. A arte eu vejo na comunicação que ela traz”, afirma Rony.

Fonte: Jornal da Tarde


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Receita Federal libera consultas ao 4º lote de restituições do IR 2013

Lote contempla 1,35 milhão de pessoas, que receberão R$ 1,4 bilhão. Restituições serão depositadas em 16 de setembro, lembra Fisco.

Notícias Gerais, por Redação

Brasil tem pontos fortes, mas precisa se preocupar com fraquezas, diz Economist

Um artigo na edição desta semana da revista britânica Economist diz que o Brasil tem pontos fortes reais, mas que o governo deveria se preocupar mais com as suas fraquezas.

Notícias Gerais, por Redação

Na segunda mediação de março, IGP-M avança e marca inflação de 0,35%

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) apontou inflação de 0,35% na segunda medição de março, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Notícias Gerais, por Redação

Mercado eleva previsão para inflação em 2012 e reduz para PIB

O mercado manteve a previsão para a inflação oficial --o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)-- para este ano, mas aumentou para 2012 (pela sexta semana consecutiva), e reduziu a estimativa para o PIB em 2010 e 2011.

Notícias Gerais, por Redação

Bolsas da Ásia sobem com cautela após corte da Itália

As Bolsas de Valores asiáticas fecharam em alta nesta terça-feira, com exceção de Tóquio, mas com cautela depois do rebaixamento da Itália pela Standard & Poors e enquanto a Grécia negociava empréstimos com os credores internacionais, em meio a preocupações de que a crise de dívida da Europa desencadeie uma crise bancária.

Notícias Gerais, por Redação

Petróleo sobe em Nova York e fica estável em Londres

Os preços do barril de petróleo terminaram em forte alta nesta terça-feira em Nova York, com investidores apostando no anúncio da diminuição das reservas americanas. Em Londres, a commodity fechou o dia praticamente estável.

Deixe seu Comentário:

=