Publicado por Redação em Notícias Gerais - 07/12/2015

Processo de impeachment causará megatempestade na economia, dizem analistas internacionais

O acolhimento pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de um pedido de impeachment da Dilma Rousseff terá efeitos muito negativos sobre a economia, de acordo com analistas internacionais ouvidos pela BBC Brasil – embora a reação inicial dos mercados tenha sido positiva, com a Bolsa operando em alta e o dólar, em baixa.

Analistas veem a permanência da presidente como o cenário menos prejudicial

O agravamento da crise política chega num momento muito ruim para o país e tende a colaborar para a formação de um cenário econômico extremamente tempestuoso, afirmam.

Mas, ao mesmo tempo, ironicamente seria o "timing" ideal para as pretensões da presidente em evitar seu afastamento:

"Independentemente do resultado final, o processo paralisará o Legislativo brasileiro e vai impedir a análise da reforma fiscal, algo crucial para a recuperação econômica do país. Mas, para Dilma, ocorre antes do que estimamos que poderá ser o pior momento para o Brasil, o período entre o segundo e o terceiro trimestres de 2016, quando a economia prometer piorar e oferecerá um cenário bem mais difícil para a presidente", afirma Angela Bouzanis, economista da FocusEconomics, consultoria internacional que analisa mais de 127 países.

"O governo brasileiro está em uma posição horrorosa. Há inflação, juros altos, preço baixo para produtos de exportação e todos os problemas ligados à corrupção e às contas públicas. A única forma de responder é aprovar reformas em um ambiente politicamente hostil", completa a economista.

Jill Hedges, vice-diretora da consultoria Oxford Analytica, diz que o processo de impeachment poderá tornar inevitável um novo rebaixamento da economia brasileira pelas agências de classificação de risco, o que faria o país ainda menos atraente para os investidores internacionais.

"A economia encontra-se em péssimo estado e o governo não tem como fazer nada. As crises estão se alimentando uma das outras, e mesmo empresas como a Petrobras e a Vale estão em dificuldade. E as recentes desvalorizações do real, que poderiam ajudar as exportações, não têm surtido o efeito desejado."

Robert Ward, da Economist Intelligence Unit, endossa as opiniões. Para ele, as discussões sobre o afastamento de Dilma prometem causar danos que aprofundarão a crise econômica e vão contribuir para um crescimento da relação entre dívida e PIB para a casa de 70% até o final de 2016.

"O Brasil está enfrentando a tempestade das tempestades", resume.

 

O fator PMDB

Especialistas afirmam discordar de algumas análises sobre o impasse divulgadas pela imprensa, na quais a eventual saída de Dilma é vista como uma chance de pacificação, sobretudo pela crença de que a ascensão do vice, Michel Temer, resultaria em um governo de imagem mais amigável para o mercado.

Além das acusações de corrupção que atingiram Cunha e ameaçam hoje seu mandato, analistas lembram que o PMDB em si também é alvo de denúncias da operação Lava Jato – logo, também enfrentaria imensas dificuldades de governabilidade. O presidente do Senado, o peemedebista Renan Calheiros, também é investigado no escândalo.

"O PMDB pode até ter uma bancada maior que a do PT, mas ainda não é suficiente para uma maioria. Com isso, precisaria costurar alianças em um Congresso em guerra – o PT, por exemplo, poderia facilmente se radicalizar com a saída de Dilma, que atualmente ainda consegue manter algum tipo de compromisso do partido com a reforma fiscal. A atual administração ainda parece o menor dos males", afirma Cameron Combs, da consultoria Eurasia Group.

Em um relatório distribuído poucas horas depois da bombástica entrevista coletiva em que Cunha anunciou o acolhimento do pedido de impeachment, a Eurasia Group calculou em 60% as chances de Dilma terminar o segundo mandato e aposta que o pedido de impeachment não encontrará respaldo no Câmara.

Mas a consultoria também ressalta os efeitos negativos do impasse político.

"A necessidade de o governo lutar por sua sobrevivência vai deixar menos espaço para defender sua agenda, incluindo a aprovação da CPMF", completa Combs.

Fonte: BBC Brasil


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Mercado prevê tímida redução de juros em 2013

Analistas do mercado financeiro consultados semanalmente pelo Banco Central (BC) apostam numa tímida redução da taxa básica de juros, a Selic, em 2013.

Notícias Gerais, por Redação

Corretoras de seguros focam em negócios de infraestrutura

As principais corretoras de seguros e resseguros do país têm olhado o aumento dos investimentos em infraestrutura para balizar suas estratégias de expansão para os próximos cinco anos. A

Notícias Gerais, por Redação

Rombo na Previdência cai, mas atinge R$ 18 bilhões em 2012

O rombo nas contas da Previdência Social atingiu R$ 17,9 bilhões nos primeiros cinco meses deste ano, segundo divulgou nesta terça-feira o Ministério da Previdência Social.

Notícias Gerais, por Redação

Ministério da Saúde lança Cartão SUS para população indígena

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou nesta quinta-feira (10), em Brasília, o Cartão Nacional de Saúde e o Hórus, que é um sistema nacional de gestão da assistência farmacêutica para população indígena.

Notícias Gerais, por Redação

Na segunda mediação de março, IGP-M avança e marca inflação de 0,35%

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) apontou inflação de 0,35% na segunda medição de março, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Notícias Gerais, por Redação

Dólar tem forte queda e cede para R$ 1,83; Bovespa sobe 0,59%

Utilizado para as operações financeiras e de comércio exterior, o dólar comercial foi trocado por R$ 1,832 nas últimas operações desta quarta-feira, o que representa uma forte queda de 1,87% em cima do fechamento de ontem.

Deixe seu Comentário:

=